Por uma sociedade melhor e menos violenta

Zenita Almeida

Nas primeiras semanas do governo brasileiro, surgiu uma crítica em torno da nova Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, pelo que a ela falou sobre a forma de vestir meninos e meninas. O mundo mudou os valores e como se não bastasse a hipocrisia permeia em todo canto do mundo. O preconceito já começou pelo fato de sua religião evangélica e todo seu conteúdo intelectual, sua história de vida e seu trabalho social que ele já faz há anos, foi submerso, validado a todo tipo de deboche, nas redes sociais. Ninguém pode negar esse conceito que nos acompanha há séculos de gerações, inclusive ainda hoje na escolha das mães para decorar quartos ou na compra das roupinhas de seus bebês.

Exatamente por essas escolhas de cores ou diferenças que origina desde o nascimento, é que vivenciamos as consequências. Menino brinca de carrinhos, bola, artes marciais etc. Meninas brincam de casinhas e bonecas. Serviços domésticos então é coisa de menina. É com essa forma de educar que criamos homens menos conscientes e mais violentos. Eles precisam entender, desde cedo, que cuidar de bebês, cozinhar, limpar a casa não são tarefas atreladas a um gênero, mas algo de responsabilidade do casal. Em alguns países, após um período inicial de licença maternidade básica, o casal escolhe quem continua fora do trabalho para cuidar do bebê. Já vi e ouvi muitos casamentos desfeitos após o nascimento do primeiro filho, pela falta da participação do homem.

A indústria de brinquedo, com raras exceções, trabalha essa dualidade, os anúncios comerciais de produtos, a mesma coisa e, quem criticar ou romper com isso encara a mesma crítica ou pior das atribuídas a tal Ministra. O preconceito e a distinção é criação da própria sociedade demagoga e hipócrita.

Enquanto isso, continuamos vendo as armas de brinquedo para os meninos, fomentando a agressividade como se fosse algo normal. O homem é programado, desde pequeno, para que seja agressivo. Raramente a ele é dado o direito que considere normal oferecer carinho e afeto para o outro ser em público. Ou cuidar de bebês e da casa. Manifestar sentimentos é coisa de menina, ou, coisa de “bicha”. Nós é que não deixamos o mundo ser diferente, dividimos entre coisas de homem e de mulher.

Homens que trabalham no Brasil gastam 9,5 horas semanais com afazeres domésticos, enquanto que as mulheres que trabalham dedicam 22 horas semanais para o mesmo fim – os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com isso, apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado serem inferior a dos homens (36 contra 43,4 horas, em termos apenas da produção econômica), a jornada média semanal das mulheres alcança 58 horas e ultrapassa em mais de cinco horas a dos homens – 52,9 horas – somando com a jornada doméstica. Ou 20 horas a mais por mês. Ou dez dias por ano. A análise mostra também que 90,7% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam atividades domésticas. Enquanto isso, entre os homens, esse número cai para 49,7%. Porque brincar de casinha é coisa de menina. Trabalho doméstico não é considerado trabalho por nossa sociedade, mas sim obrigação. Homens agressivos sempre irão existir e isso não vai mudar até que todos sejam devidamente educados para o contrário.

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