Governo federal processa juiza por ajudar indocumentado na corte

Marcony Almeida

Newton

Uma juiza do tribunal estadual de Massachusetts e um ex-oficial de justiça que supostamente ajudaram um réu indocumentado a sair da Corte sem ser preso pela Imigração foram acusados, hoje (25), de obstrução da justiça e outras acusações federais pelo promotor federal Andrew Lelling, indicado de Donald Trump.

A juiza da Corte Distrital de Newton, Shelley Richmond Joseph, 51 anos, e Wesley MacGregor, 56, enfrentam acusações de conspiração por obstruir a justiça, obstrução de um processo federal – auxílio e cumplicidade e perjúrio – de acordo com a acusação.

“Este caso é sobre o estado de direito”, disse o Procurador Federal de Massachusetts, Andrew Lelling, em um comunicado. “Não podemos escolher as leis federais que seguimos ou usar nossas opiniões pessoais para justificar a violação da lei”.

Joseph e MacGregor iriam comparecer ao tribunal federal em Boston na quinta-feira à tarde. Não ficou imediatamente claro se eles têm representação legal. “Todos no sistema judiciário – não apenas juízes, mas policiais, promotores e advogados de defesa – devem ser mantidos em um padrão mais elevado”, disse Lelling. “O povo de Massachusetts espera que, assim como eles esperam que os juízes sejam justos, imparciais e que sigam a lei eles mesmos”.

Promotores federais disseram que as acusações se basearam em um incidente de 2 de abril de 2018 em que Richmond e MacGregor supostamente permitiram que um imigrante indocumentado numa audiência por acusações de drogas escapasse da detenção por um oficial do ICE.

A Polícia de Newton prendeu e acusou o imigrante indocumentado de fugir da justiça e posse de drogas, segundo a acusação. Mais tarde, as autoridades descobriram que ele havia sido deportado dos EUA em 2003 e 2007, e foi proibido de reingressar ao país até 2027. O ICE emitiu mandado de remoção.

Um oficial do ICE à paisana estava no tribunal de Newton para executar o mandado. O funcionário do tribunal foi orientado por Joseph a pedir ao oficial do ICE que esperasse no saguão, de acordo com os documentos apresentados à Justiça. Quando o caso foi chamado naquela tarde, uma gravação de áudio do tribunal capturou Joseph, o advogado de defesa, e o promotor, falando separadamente sobre o agente de Imigração presente na Corte.

Joseph supostamente ordenou que o funcionário da sala de audiências “parasse de gravar a conversa por um momento”. O gravador de áudio foi desligado por 52 segundos, disse a acusação. Quando o gravador foi ligado novamente, segundo os documentos, Joseph disse que pretendia libertar o réu.

O advogado de defesa pediu para falar com o réu no andar de baixo do prédio. “Acredito que ele tenha alguma propriedade no andar de baixo”, disse o advogado. “Eu gostaria de falar com ele lá embaixo com o intérprete, se eu puder”.

Joseph respondeu: “Tudo bem. É claro”, de acordo com os promotores federais. Quando foi lembrado pelo funcionário de que um oficial do ICE estava no tribunal, Joseph disse: “Tudo bem. Não vou permitir que eles entrem aqui. Mas ele foi liberado sobre isso”.

MacGregor supostamente escoltou o réu, seu advogado e um intérprete no andar de baixo para o bloqueio, e usou seu cartão de acesso de segurança para abrir a saída traseira e liberar o réu, disse a acusação.

O ICE, em um relatório de 2017, listou Boston como uma jurisdição que limita a cooperação com a agência de Imigração. Mas a acusação citou a orientação emitida em novembro de 2017, pelo Gabinete Executivo do Tribunal de Massachusetts, que disse que “os funcionários de Imigração podem entrar em um tribunal para desempenhar suas funções oficiais”.

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