Quem sou

Essa questão, acredito que comece a fazer parte intensa das nossas vidas quando entramos na adolescência. Como e quando começamos a ver o mundo em torno de nós, ideias, valores, gostos, desgostos, interesses e o que é verdadeiramente nosso e o que foi nos ensinado por nossa família, religião, escola e grupo social.

Esses grupos citados acima, são os formadores do nosso Superego ou Supereu, onde aprendemos  com Freud que são os representantes e supervisores perpétuos das nossas ações, quase sem nenhuma mudança do nosso caráter, no decorrer da nossa existência. Alguma vez ou em algum tempo conseguiremos nos livrar dessas influências positivas ou negativas de como vamos nos transformando ao longo dos anos? Duvido muito, pois que esses valores funcionam como um pai severo, com suas ideias de moralidade, que nos enche de culpa e nos adoece quando vamos de encontro a esses princípios. Mas também, somos certamente humanos em evolução, até o nosso último suspiro.

Ao pensar sobre “quem sou”, me deparei com um escrito de minha mãe quando ela tinha 10 anos, onde descreveu no seu trabalho escolar suas características físicas e seu núcleo familiar, ao responder “Quem sou”. Talvez ela era ainda muito pequena para pensamentos elaborados e conflitos de identidade. Também me ocorreu pensar nas teorias do desenvolvimento Infantil em várias fases, dos estudos de Piaget.

Outro aspecto a acrescentar, seria o que, e quem somos, talvez seja bem diferente do que as pessoas pensam sobre quem somos. Quem será que nos conhece na nossa essência, além de nós mesmos? Será que realmente nos conhecem? Na verdade, não sabemos. Será que no nosso inconsciente, onde somos quem não sabemos quem somos, encontro a resposta? “Penso, logo existo”, ou em francês “Je pense, donc je suis”.  Essa é a famosa frase do filósofo René Descartes escrita em 1637 e está no livro Discurso do Método, anos depois Freud irá reformular essa frase dizendo “Existo onde não penso”, trazendo o primeiro esboço teórico do que viria a ser o objeto de estudo da psicanálise: a noção do inconsciente, aquele que guardaria a nossa real identidade.

O inconsciente é uma instância psíquica, que pouco sabemos sobre ele e só podemos acessá-lo através da interpretação dos nossos sonhos. O inconsciente também é o responsável pela formação dos sintomas neuróticos. São os nossos impulsos e necessidades instintuais, que buscam as satisfações, quando então entram em conflito com o Superego. Tendo estudado isso, como saberei com certeza quem sou? O inesperado inconsciente pode sempre nos fazer uma surpresa.

Também temos que pensar que o inconsciente muitas vezes nos trai, através dos “atos falhos” e da “pulsão ou desejo de morte.” Algumas vezes tomamos atitudes corajosas, espontâneas e impulsivas, que nem sabemos de onde vieram, mas certamente vem do nosso inconsciente. Difícil tarefa a de procurar entender quem somos ou “conhece-te a ti mesmo”, aforismo atribuído a Sócrates, que se encontra no templo de Apolo, em Delfos, na Grécia.

O fato é que, acredito que a família, os que estão no nosso “entorno,” e as nossas experiências vividas são as ferramentas necessárias para nossa sobrevivência no Planeta Terra. Nossas origens estão sempre na nossa essência e formaram nosso caráter. As experiências negativas servem como reflexão e fazem parte da nossa decisão: eu não quero isso para mim. Subimos os degraus da escada de nossas vidas e muitas vezes somos empurrados para baixo, mas com uma boa fundação, começaremos outra vez e tentamos acertar no próximo degrau, seguindo nosso desenvolvimento.

Quem sou? Sou um projeto divino e humano, que reza todos os dias para fazer o melhor que sabe e pede a ajuda de Deus para me livrar do mal e de todas as tentações. Sou frágil, insegura e cheia de defeitos. Sou, onde não sei quem sou.

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