Prisão de brasileiros entrando ilegalmente nos EUA dispara e alarma governo americano

Marcony Almeida

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O número de brasileiros presos pela US Border Patrol aumentou em todo o país no ano passado para cerca de 18 mil, acima das 1.600 apreensões do ano anterior, segundo dados fornecidos pelo governo americano, essa semana.

O número de prisões superou em muito qualquer ano desde 2007. A alta anterior foi de cerca de 3.200 no ano fiscal de 2016, com base nos dados disponíveis. O aumento no número de brasileiros que entraram ilegalmente nos Estados Unidos ocorreu em meio a um aumento geral de imigrantes que chegaram à fronteira sul, impulsionados em grande parte por famílias de países da América Central.

O vice-secretário interino de segurança interna americana, Ken Cuccinelli, disse à imprensa durante uma coletiva no Centro de Imprensa Estrangeira do Departamento de Estado que os EUA estão em “discussões contínuas” com o Brasil sobre um número crescente de cidadãos que chegam à fronteira EUA-México.

Durante os dois primeiros meses do ano fiscal de 2020 – outubro e novembro – pouco mais de 3 mil brasileiros foram presos pela Patrulha de Fronteira, acompanhando o ritmo dos números do ano passado. “Temos um diálogo aberto com eles. As questões de imigração continuam sendo discutidas ativamente com o Brasil. Observo, no entanto, que estamos vendo mais brasileiros aparecerem na fronteira sul e isso está aumentando a intensidade do lado americano e se tornando um desafio que estamos enfrentando agora”, disse Cuccinelli em resposta a uma pergunta sobre se os EUA planejam chegar a um acordo com o Brasil semelhante ao da Guatemala.

Nos últimos meses, o governo americano esteve em discussões com os países do Triângulo Norte da Guatemala, Honduras e El Salvador para enviar imigrantes em busca de asilo na fronteira EUA-México para esses países. Em novembro, o governo Trump enviou o primeiro imigrante para a Guatemala como parte de seu acordo com o país para aceitar os que buscam asilo dos EUA.

As políticas adotadas no ano passado para impedir que os imigrantes se aproximem da fronteira EUA-México excluíram amplamente os brasileiros. No geral, mais de 850 mil imigrantes foram presos na fronteira sul em 2019. Houve um aumento de países da América do Sul, particularmente Brasil, além de Equador e Venezuela, de acordo com os novos dados.

Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Wilson Center, disse à rede de televisào CNN que o Brasil enfrenta problemas econômicos há anos, com alto desemprego e baixo crescimento, levando a uma migração contínua para os EUA.

As eleições presidenciais brasileiras em 2018, que elevaram Jair Bolsonaro, foram um evento importante para o fluxo de brasileiros deixando o país, disse Sotero, uma vez que o novo governo fez promessas não cumpridas sobre a criação de oportunidades econômicas e a abertura de mercados.

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