Os nós na nossa vida ou “não aperte a minha mente”

Acredito que a nossa vida é cheia de nós e que na maioria das vezes não temos consciência, por isso não conseguimos desatá-los. Acredito que esses nós inconscientes nos afeta fisicamente e são a origem de doenças psicossomáticas.

Para exemplificar, fisicamente às vezes desenvolvemos nós musculares, do tipo torcicolo que é causado por um espasmo muscular na região do pescoço. O espasmo é caracterizado pela contração intensa do músculo, o que causa dor. Além de provocar desconforto, a condição dificulta a irrigação sanguínea na região, o que gera mais dor, limitando os movimentos da cabeça por um período.

Muitas vezes são tão inconvenientes que necessitamos da ajuda de um fisioterapeuta para massageá-los ajudando a desfazer o nó e consequentemente se dá a descontração muscular. Acredito que o mesmo acontece na nossa psique. Os nós na nossa vida nos impede de funcionarmos bem, e é quando precisaremos da ajuda de um ótimo terapeuta ou psicanalista para ajudar no desatar desses nós.

Como a satisfação humana ou a satisfação dos nossos desejos vai de encontro a civilização, como no escrito de Freud O Mal Estar na Civilização, ou no dito popular “o que eu gosto é ilegal é imoral ou engorda”. Jacques Lacan nos presenteou com o que ele chamou de nó de Borromeo no Seminário 19, em 1972, que é uma figura topológica, que representa o brasão da família italiana dos Borromeus, figurativamente desenhado como um laço entre as três famílias, cujo enodamento se fosse rompido por qualquer uma das partes, o nó seria desfeito.

Com essa demonstração, Lacan introduziu a articulação estrutural das categorias Real, Simbólico e Imaginário no nosso inconsciente e nos buracos que se formam na triagem dos nós, se localiza o que Lacan chama de “objeto a” ou objeto do desejo. “Onde o buraco fixa para o sujeito o vazio da sua ausência.”

Portanto, seguindo essa linha de raciocínio, tudo desejo que nos é proibido ter satisfação por causa da civilização fica represado ou recalcado, metaforicamente falando, no nosso inconsciente e se transforma em um nó. Quando alguma ponta do nó se desfaz, as outras duas pontas não se sustentam e estamos livres do sofrimento.

Toda a nossa inquietação interna, necessidade de realizações que sentimos durante nossas vidas, vem da necessidade de satisfação e completude causadas pela falta que é determinada pelo recalque da satisfação dos nossos desejos, ou do nosso desejo originário.

É dai, do nó que parte a grande questão linguística que inaugurou o dito Lacaniano: “ Eu te peço que recuses o que te ofereço porque isso não é isso”. Ou para nosso melhor entendimento: Eu te peço que não me de o que eu te peço, pois nem mesmo eu sei o que quero, ou o que me causa tanta insatisfação. Complicado. Para aprendermos a desatar nossos nós, só mesmo com a ajuda de um bom psicanalista treinado no bem escutar, para pontuar as metáforas da nossa linguagem inconsciente e nos ajudar a descobrir os nossos desejos.

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