Secretária de Saúde descreve agonia contra COVID-19, após ser contaminada

Marcony Almeida

AGO

A Dra. Monica Bharel achou que as dores que começou a sentir no final de março eram devido à falta de sono e às longas horas que passava trabalhando como Secretária de Saúde Pública de Massachusetts, em meio a uma pandemia.

Quando o marido disse que a filha estava com febre, Bharel começou a pensar em seus próprios sintomas e foi testada para o COVID-19, na noite de 26 de março. No dia seguinte, enquanto trabalhava em casa, os resultados voltaram e o departamento anunciou a Bharel que ela havia testado positivo para a doença.

Na época, ela era uma das mais de 29 mil pessoas em Massachusetts que haviam sido testadas, e um dos cerca de 3.200 casos confirmados. Quatro semanas depois – com a contagem de casos em todo o estado superando 46 mil, e mais de 195 mil pessoas testadas – Bharel foi liberada para encerrar seu período de isolamento e diz que “está se sentindo 100%”.

“Como médica-chefe do estado, era meu dever e meu trabalho aprender tudo o que podia sobre o COVID-19, bem como entendê-lo, sobretudo não esperava ser uma das infectadas”, disse ela à imprensa. “Como eu estava experimentando todos os sintomas que li, estava sofrendo na pele como era, como as dores musculares podiam ser intensas, como a dor nos olhos podia me manter acordada a noite toda, o que significa tentar comer quando você perde o olfato”.

Nas últimas semanas, Bharel esteve trabalhado em casa, gerenciando “febres, dores musculares e fadigas bastante significativas”. Enquanto isso, ela está solicitando a coleta de dados demográficos para pacientes com COVID-19, emitindo orientações sobre novas precauções de saúde e executando outras responsabilidades ditadas pelas demandas da pandemia.

Agora ela está de volta ao escritório na sede do Departamento de Saúde Pública em Boston, ainda praticando distanciamento social e, disse ela, “em dívida com minha equipe incrivelmente qualificada”.

Bharel disse que ela, seu marido e seus dois filhos ficaram doentes na mesma época. Seu marido também trabalha na área da saúde, portanto os dois são considerados trabalhadores essenciais e estavam trabalhando, enquanto as crianças estavam em casa devido ao fato de suas escolas estarem fechadas. A família vinha praticando o distanciamento social, disse ela, e eles não sabem como contraíram o vírus.

Isolaram-se em casa e nenhum deles precisou de hospitalização. Cerca de 8% dos pacientes com COVID-19 no estado foram hospitalizados na quinta-feira, de acordo com dados do Departamento de Saúde Pública.

Bharel disse estar surpresa com a duração de seus sintomas e qualificou a experiência “um verdadeiro abrir de olhos”. Ela estava mais preocupada, disse ela, com o bem-estar de sua família, principalmente de seus filhos.

“Fiquei preocupada quando meu marido começou a ficar doente”, disse ela. “Como você pode imaginar, tenho todos esses fatos em mente ao trabalhar na pandemia do COVID-19 e as estatísticas mostram que os homens geralmente se saem pior que as mulheres, e se você começar a sentir sintomas no peito, isso pode ser um sinal de alarme. Estávamos nos monitorando muito de perto. Foi assustador”.

Passar pelo problema do COVID-19 reafirmou para Bharel a necessidade de muitas das medidas que o estado tomou para mitigar a disseminação do vírus altamente contagioso, disse ela. A secretária diz estar agradecida por sua família ter aderido aos protocolos de distanciamento social e não ter deixado outras pessoas doentes.

Ela acrescentou que as pessoas perguntam “o tempo todo” como elas podem ajudar a combater o vírus, e sua resposta é que ficar em casa e manter distância dos outros são ações “realmente importante”. As pessoas que se sentem doentes devem procurar atendimento médico e conversar com os profissionais de saúde desde o início, para que possam se isolar, se necessário.

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