Por LUCE Immigrant Justice Network of Massachusetts
Enquanto famílias haitianas enfrentam a perda do TPS e uma crescente incerteza migratória, a história de Pierre também repercute entre comunidades imigrantes de Massachusetts, incluindo famílias brasileiras que convivem com preocupações crescentes sobre a fiscalização migratória.
Pierre Damas Bel veio para os Estados Unidos para estudar e construir um futuro. Nas semanas antes de sua morte, o estudante haitiano de 20 anos descreveu a vergonha e a humilhação que sentia após ser obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica com GPS, depois do fim das proteções do Status de Proteção Temporária, o TPS, para haitianos. Ele escreveu que havia vindo aos Estados Unidos para estudar, não para cometer crimes ou machucar ninguém.
Em 31 de agosto, Pierre morreu após ser atingido por um veículo na Interstate 70, perto de Springfield, Ohio. A Polícia Rodoviária Estadual de Ohio está investigando sua morte. A família acredita que Pierre tirou a própria vida após enfrentar um sofrimento crescente relacionado à perda de suas proteções migratórias e ao monitoramento do ICE por meio de uma tornozeleira eletrônica. Seu pai afirmou que Pierre enfrentava humilhação, estigma e bullying relacionados ao monitoramento. Pierre havia acabado de iniciar seu primeiro ano na Wright State University, onde estudava neurociência e esperava seguir carreira na área médica.
A dor da sua morte antes de tudo, pertence à sua família e às pessoas que o amavam, e esse luto não pode ser reduzido a um argumento político. Ao mesmo tempo, as circunstâncias de suas últimas semanas levantam questões urgentes sobre as consequências humanas de um sistema migratório cada vez mais marcado por vigilância, detenção, deportação e medo.
Para famílias haitianas, essa crise acontece em grande escala. Mais de 300 mil haitianos perderam o TPS após a decisão do governo federal entrar em vigor em 27 de julho. Massachusetts abriga aproximadamente 45 mil haitianos com TPS, muitos deles trabalhando em setores como saúde, cuidados de idosos, transporte, construção civil e hospitalidade.
Embora Pierre vivesse em Ohio, o medo em torno de sua história ultrapassa fronteiras estaduais. Em Massachusetts, comunidades imigrantes acompanham o impacto da perda de proteções legais e do aumento da fiscalização migratória. Famílias haitianas enfrentam diretamente o fim do TPS, enquanto brasileiros e outros imigrantes também convivem com preocupações crescentes sobre detenções, deportações e o impacto dessas políticas sobre suas famílias e seus futuros.
Para a LUCE Immigrant Justice Network of Massachusetts, essas questões não são abstratas. A LUCE trabalha lado a lado com famílias imigrantes em todo o estado, incluindo comunidades haitianas, brasileiras e de outras origens que enfrentam um cenário migratório cada vez mais incerto. As consequências da fiscalização migratória não atingem apenas a pessoa monitorada, detida ou ameaçada de deportação. Elas chegam às casas, escolas, locais de trabalho e comunidades inteiras.
Guerline Alcy Jabouin, vereadora at-large de Everett e liderança da comunidade haitiano-americana, afirmou:
“A morte de Pierre é devastadora, e meu coração está com sua família neste momento insuportável. Como haitiano-americana, conheço o medo aterrorizante e sufocante que está tomando conta da nossa comunidade neste momento. Estamos carregando um peso que parece grande demais para suportar.
Quando um jovem que está buscando educação e um futuro é levado a se sentir criminalizado e privado de sua dignidade, precisamos confrontar o sistema que está produzindo esse medo.
Nossa comunidade está de luto. Estamos exaustos, estamos chorando e estamos profundamente indignados. Exigimos justiça, humanidade, dignidade e o fim de políticas que tratam vidas imigrantes como descartáveis.”
Essa demanda está no centro do trabalho da LUCE. Em Massachusetts, sua rede liderada por imigrantes organiza comunidades, compartilha informações confiáveis e coordena respostas rápidas para que famílias não enfrentem a fiscalização migratória sozinhas. A história de Pierre está profundamente ligada à comunidade haitiana, mas o medo e a incerteza provocados pela política migratória também fazem parte da realidade de famílias brasileiras e de muitas outras comunidades imigrantes no estado.
A vida de Pierre importava. Seu futuro importava. A dor de sua família importa. LUCE está ao lado da família de Pierre e das comunidades haitianas em todo o país, ao mesmo tempo em que continua organizando comunidades imigrantes em Massachusetts em defesa de dignidade, segurança e justiça.
A posição da LUCE é clara: fortalecer o poder das comunidades imigrantes, proteger as famílias e construir um futuro enraizado em dignidade e pertencimento, enquanto seguimos na luta pela abolição do ICE.
LUCE website: https://www.lucemass.org/
Foto: LUCE Network










