Mais de 1.000 crianças foram abusadas por padres em Fall River, Springfield e Worcester

Direto da Redação

AG

Uma investigação da Procuradoria-Geral de Massachusetts encontrou evidências de que mais de 270 clérigos católicos abusaram de quase 1.000 crianças nas dioceses católicas de Fall River, Springfield e Worcester ao longo de um século, segundo a Procuradora-Geral, Andrea Joy Campbell.

Campbell disse que a investigação, iniciada em 2019, identificou casos em que líderes diocesanos deixaram de agir diante de denúncias e sinais de alerta, ou transferiram padres acusados ​​para outras paróquias sem divulgar os motivos das transferências.

E declarou que, embora investigações anteriores já tivessem exposto falhas institucionais na Arquidiocese de Boston, a investigação atual é o “primeiro relato público comparável das falhas institucionais nas dioceses de Fall River, Springfield e Worcester”.

“Esta investigação não teve como objetivo demonizar uma fé ou uma igreja”, disse Campbell em uma coletiva de imprensa, hoje. “Pelo contrário, buscou justiça, um valor e uma promessa que nossa fé e o Deus a quem sirvo refletem tão profundamente”.

Autoridades da Igreja nas três dioceses, durante décadas, não só tinham conhecimento dos abusos sexuais contra crianças, como também não tomaram “medidas eficazes para preveni-los ou para examinar as falhas institucionais de liderança” que levaram à vitimização de crianças por padres.

A maioria dos “abusos conhecidos” ocorreu antes de 2002, quando o jornal The Boston Globe noticiou décadas de abusos na Arquidiocese de Boston, de acordo com relatório da Procuradoria. Mas as autoridades afirmaram que a investigação identificou outras falhas “que persistem”, incluindo aquelas relacionadas a treinamento, investigação de denúncias, supervisão e registro de informações.

Isso inclui casos em que padres foram autorizados a permanecer em seus cargos por anos após as dioceses receberem denúncias de abuso sexual contra crianças, de acordo com o relatório.

E mesmo quando as dioceses suspenderam os padres acusados, inclusive proibindo-os de exercer publicamente o sacerdócio, os homens “geralmente permaneceram sem supervisão, e as suspensões, em muitos casos, ocorreram sem que os paroquianos ou mesmo outros padres tivessem conhecimento” das denúncias.

Os padres, disse Campbell, gozavam de “profunda confiança em suas comunidades” e “os padres abusadores se aproveitaram dessa confiança”. Alguns sobreviventes disseram oas investigadores que acreditavam que seus pais também acreditariam em um padre em vez deles. Muitos esperaram décadas para revelar o abuso, afirmou ela.

“Com muita frequência, eles protegiam a reputação da Igreja em vez de proteger as crianças”, disse. Apesar das evidências, a Procuradora-Geral afirmou que não pode indiciar ou processar os crimes encontrados, citando prazos de prescrição e “outras restrições legais”. Em alguns casos, a conduta alegada não era considerada crime pela lei estadual na época, acrescentou. “Não podemos aplicar uma lei penal retroativamente”, concluiu.

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