Os eleitores mandaram um recado claro para a Casa Branca nas eleições do último dia 4 de novembro do ano passado. Os norte-americanos não estão satisfeitos com o rumo que o país tomou. E a economia não é a única causa da insatisfação do povo.
Os ocupantes do poder não demonstram respeito algum pela Constituição, pelas leis, pelos direitos civis e humanos. Julgam-se no direito de fazer o que quiserem, quando quiserem e contra quem quiserem. Perguntado por uma jornalista da CNN o que ele achava do uso de força por agentes de imigração, o Presidente disse que não via nada demais, achava pouco até.
Bom, o que dizer de um Presidente que gasta, segundo rumores não confirmados, 3.4 milhões em uma festa de Halloween enquanto quase 42 milhões de famílias que dependem do SNAP, um Programa de Assistência de Nutrição Suplementar, correm o risco de passar fome?
Em janeiro, quando governadores e prefeitos mais progressistas e sensíveis tomaram posse, é possível que a situação melhore, porque do jeito que as coisas `vão, há pouca margem para se aguentar por mais tempo.
Eu tenho esperança, porém, quando vejo, por exemplo, que em Everett, apesar do baixo índice de comparecimento às urnas, os eleitores decidiram dar um basta nos 17 anos do prefeito Carlo DeMaria, após inúmeras denúncias de corrupção. A gota d’água, acredito, foi quando a polícia entregou um garoto de 13 anos à imigração, sem falar nos carros da imigração estacionados no estacionamento da prefeitura.
Em Nova York, apesar das ameaças e do dinheiro distribuído, os eleitores decidiram que um muçulmano socialista era a melhor opção. E tem mais: mulheres democratas venceram na Virginia e em New Jersey. Na Califórnia, venceu a Proposição 50, que abre mais cinco vagas no Congresso para os democratas. Uma resposta direta ao Texas que abriu cinco vagas para os republicanos.
Em novembro de 2026, 435 distritos do Congresso e 33 cadeiras do Senado serão renovadas. Atualmente, os republicanos tem uma maioria de 53-45 no Congresso e de 219 a 212 no Senado, com quatro cadeiras vagas. Se os democratas viram a mesa no ano que vem, governar ficará bem difícil para o atual ocupante da Casa Branca.
Nosso papel como imigrantes é continuar denunciando as violações, violência, injustiças e truculência com que agentes de imigração agem. Temos de superar nosso medo, erguer a cabeça e lutar. Nossa voz e nossas histórias são poderosas. E temos o apoio de muitos norte-americanos. Em Brookline, cidade de classe média, todo fim de semana um grupo pequeno de senhoras brancas e idosas vai às ruas com cartazes denunciar as arbitrariedades do governo federal e defender os imigrantes.
Se o povo norte-americano está conosco, quem estará contra? Não temos o direito de calar quando outros enfrentam a injustiça para nos defender.










