A difícil escolha ou o livre-arbítrio

Parece que na vida estamos sempre diante de escolhas. Das mais simples ao acordar, tomando como exemplo o pensamento sobre levanto da cama logo ou durmo mais alguns minutos antes do despertador tocar, até decisões mais complexas tal como invisto o dinheiro do meu cliente nesse ou naquele fundo, onde precisamos usar da sabedoria e experiência. Decisões inconscientes e conscientes fazem parte do nosso cotidiano. Nosso cérebro muitas vezes fica ocupado, ou melhor, pré-ocupado e dividido entre nossas questões de escolha antes de tomarmos decisões. Dependendo da nossa escolha, mudamos o nosso destino, o rumo da nossa vida, sem esquecer que ao tomarmos um caminho, invalidamos completamente o outro. Aprendemos que somos humanos e que nosso cérebro é composto de emoção e raciocínio, portanto, ficamos sempre no dilema, divididos, antes de decidirmos.

Em momentos de pânico, temos que tomar decisões rápidas e muitas vezes por impulsos. Nessas horas, ficamos completamente sem saber o que acontece dentro do nosso cérebro. Não temos muito tempo para pensar e agimos sem um planejamento prévio, portanto, para o melhor ou para o pior, improvisamos, instintivamente. A situação ainda fica mais complicada se estamos liderando um grupo e se da nossa decisão depende a vida de outros. Nós, humanos, somos racionais e emocionais (Homo Sapiens) e mesmo em momentos de pânico, mesmo sem tomarmos consciência, o racional entra em ação no nosso cérebro nos ajudando a tomarmos uma boa decisão em uma lista de variáveis, se nao formos sociopatas ou psicopatas.

Temos a abilidade de analizar rapidamente os fatos, baseados em aprendizado anterior, de maneira que cada emoção vivida prepara o nosso corpo para ação. A ciência moderna nos ensina que nosso cérebro funciona como um computador ou um robot, com a diferença que um computador ainda e por enquanto nao sente emoções. Quando se trata de tomar decisões éticas, a racionalidade dos humanos funciona como lei, tomando como base os Dez Mandamentos de Moisés ou como o Imperativo Categórico de Kant, exceto para os Sociopatas.

Sociopatas são psicopatas ou doentes mentais, são os humanos que sem código de ética e moral fazem desastrosas escolhas e não se conflitam com essas escolhas. Eles não têm nenhum sentimentos de remorso e empatia por outras pessoas. Os sociopatas sofrem de defeito funcional do cérebro, mas aparentemente, apenas aparentemente, são pessoas normais. Por causa da desonestidade, mentira e pelo fato de não aprenderem a diferença entre o certo e o errado com experiências prévias de vida, as prisões e a sociedade estão cheias deles. Os doentes mentais sociopatas são desprovidos do dilema moral. Eles estão sintônicos com sua disfunção.

Nas decisões morais, levamos em conta o outro, o nosso próximo. Humanos são primatas sociais e a moralidade pode ser encontrada desde o início da nossa história. O consciente desenvolve uma estrutura que nos ensina a fazer o que é certo, usando o nosso cérebro emocional que nos protege de ferir o outro. Estudos nesse sentido foram desenvolvidos pelo neurocientista Joshua Greene, da universidade de Harvard, usando “Brain scanner” ou tumografia cerebral.

Somos dotados do Livre-Arbítrio, ou da capacidade de escolha. O problema aparece quando não sabemos ao certo qual a melhor decisão ou caminho, mesmo depois de analisados todos os prós e contras, usando o raciocínio lógico de exclusão, para uma escolha profissional ou para uma escolha na vida afetiva. Para entender melhor, penso em uma brincadeira infantil: colocar dois objetos, um em cada mão e fechar as duas mãos. Sem olhar e sem trapacear, escolher a mão direita ou a mão esquerda. Ao escolher uma das mãos, perdemos o que está dentro da outra mão.

Em toda escolha, existe uma perda. Como teremos sempre que escolher, não sabemos o que perdemos e iremos pensar sempre o que teria sido se tivéssemos feito outra escolha. É bom lembrar que diante das nossas escolhas, geralmente não temos a opção de um caminho de volta e que cada escolha sempre implica numa perda.

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