Num País em que se tenta desmoralizar quem protege a floresta, o que está em disputa é muito maior do que uma cadeira ministerial. O que se viu recentemente — quando Marina Silva foi interrompida, desautorizada e tratada com desdém numa comissão do Senado — não foi apenas uma cena lamentável de machismo institucional. Foi também um retrato nítido das forças que querem sabotar o protagonismo ambiental do Brasil em pleno ano que antecede a COP 30, a Conferência do Clima da ONU, que será realizada em Belém do Pará, no coração da Amazônia.
Marina não é apenas ministra do Meio Ambiente. É um símbolo internacional da luta socioambiental. Já foi reconhecida por instituições como a ONU, recebeu prêmios globais, esteve na linha de frente de pactos que colocam o Brasil no mapa da diplomacia climática com responsabilidade e ambição. Fragilizá-la é mais do que um ataque pessoal. É parte de uma tentativa deliberada de reverter regulações ambientais que hoje travam projetos predatórios de exploração mineral, grilagem e desmatamento — interesses que circulam com desenvoltura pelos corredores do Congresso.
Não foi por acaso que o embate ocorreu exatamente quando estavam em pauta temas como a liberação de atividades econômicas em terras sensíveis, hoje protegidas por legislação e que dependem de autorização do Ibama. Ali não se discutia apenas meio ambiente. Discutia-se poder. E dinheiro. E o direito de continuar degradando sem ser incomodado.
Os ataques à ministra seguiram um roteiro conhecido: corte de microfone, interrupções sistemáticas, tentativa de desqualificação técnica e moral. Foi uma cena de violência simbólica que, se normalizada, enfraquece a democracia e o espaço das mulheres nos altos escalões da política — sobretudo o das mulheres negras. Foi gaslighting, ao vivo e em cores, com plateia nacional.
Mas o plano saiu pela culatra. Marina não se calou, não se curvou e, ao se retirar com dignidade, mostrou que não aceitaria ser coadjuvante na própria pasta. A reação do público foi imediata. Vieram notas de apoio, manifestações de solidariedade e o reconhecimento de que ela segue sendo uma das vozes mais confiáveis do Brasil quando o assunto é futuro climático.
A COP 30 será no Brasil. O mundo estará olhando para cá, esperando liderança ambiental, compromisso com metas de redução de emissões, proteção das florestas e inclusão dos povos originários. E Marina é, hoje, o rosto mais legítimo que o Brasil pode apresentar nessas mesas. Fragilizá-la é um risco não apenas ambiental, mas geopolítico.
Os que tentaram desmoralizá-la não contavam com sua firmeza. Nem com a memória de quem acompanha sua trajetória desde os tempos em que defendia a Amazônia quando quase ninguém queria ouvir. Eles queriam enfraquecer. Saíram expostos. E ela, fortalecida.
Porque o que eles realmente não suportam é que ela não se curva. E nem vai.










