Todo ano, nessa época, gosto de fazer um balanço do que passou. Olhar com honestidade para o que aprendi, para o que funcionou, para o que não saiu como o planejado e para os erros e tropeços que também fizeram parte do meu ano. A partir disso, costumo projetar algumas intenções para o ano seguinte – não como metas rígidas, mas como direções possíveis.
Desta vez, resolvi organizar esse exercício em 12 Compromissos. E, neste artigo, quero compartilhar esses compromissos com você, não como receita, mas como convite à reflexão. Eles não precisam ser seguidos à risca nem todos ao mesmo tempo. Pense nestas sugestões mais como lembretes, pontos de atenção para escolhas cotidianas que podem ajudar a viver com mais equilíbrio, presença e qualidade de vida. E aproveito para desejar aos leitores um Ano Novo menos acelerado, mais humano e com muita alegria e prazer de viver. Vamos os compromissos:
1 – Equilibrar o tempo nas redes sociais com a leitura
A ideia é simples: observar quanto tempo se passa rolando telas e tentar destinar uma parte equivalente à leitura. Pode ser um livro, artigos, ensaios ou qualquer texto que exija mais concentração. Não se trata de demonizar as redes, mas de reequilibrar os estímulos e dar espaço ao pensamento mais profundo.
2 – Não levar tudo para o lado pessoal
Nem tudo é sobre nós. Muitas reações, comentários e atitudes dizem mais sobre quem as emite do que sobre quem as recebe. Aprender a deixar passar, sem absorver cada palavra como um ataque, é uma forma prática de preservar energia emocional e evitar desgastes desnecessários.
3 – Escolher um trauma de infância para trabalhar
Identificar um episódio ou uma experiência marcante da infância e tentar compreendê-lo com mais maturidade pode ajudar a explicar padrões atuais de comportamento, reação e pensamento. Olhar para esse passado com menos julgamento e mais entendimento é um passo importante para seguir adiante com mais leveza.
4 – Falar menos e escutar mais
Vivemos em um tempo de excesso de opiniões e de escassez de escuta. Um bom exercício é fazer mais perguntas genuínas e realmente ouvir as respostas. Além de aprofundar relações, escutar amplia o repertório e reduz a necessidade de estar sempre certo.
5 – Aprender algo novo
Pode ser uma habilidade antiga adiada ou algo completamente fora da zona de conforto. Aprender exige tempo, paciência e humildade, mas também renova a curiosidade e estimula o cérebro. O compromisso aqui é abrir espaço para o novo, mesmo sem expectativa de desempenho.
6 – Não entrar em polêmicas desnecessárias
Antes de se envolver em discussões acaloradas, vale a pergunta: isso realmente compensa? Muitas polêmicas só geram desgaste e raramente mudam opiniões. Em vários casos, ouvir, silenciar ou agir de outra forma é mais produtivo do que discutir.
7 – Consumir apenas as notícias essenciais
O excesso de informação, muitas vezes sensacionalista, aumenta a ansiedade e a sensação de impotência. Ler o necessário, entender o contexto geral e evitar aprofundamentos que não agregam de forma prática pode ser uma escolha consciente para a saúde mental.
8 – Gostar mais do próprio corpo
Aceitar o corpo como ele é (com imperfeições, limites e sinais do tempo) é um compromisso diário. Cuidar da saúde não precisa estar associado à rejeição ou a críticas constantes. Gostar do próprio corpo é uma base importante para o bem-estar e a qualidade de vida.
9 – Não se cobrar para performar o tempo todo
A lógica da performance constante transforma a vida em uma competição permanente. Nem tudo precisa ser otimizado, exibido ou comprovado. Reduzir essa cobrança é permitir-se existir sem sempre tentar provar valor.
10 – Passar mais tempo com os amigos
Seja por ligação, vídeo ou encontro presencial, estar com amigos de forma mais presente faz diferença. Um acordo simples (como deixar o celular de lado) ajuda a resgatar conversas reais, atenção plena e conexões mais significativas.
11 – Praticar gratidão diariamente
Registrar, todos os dias, ao menos três coisas pelas quais se é grato ajuda a deslocar o olhar para o que já existe. Pequenos aspectos da rotina (conforto, mobilidade, encontros, silêncio) costumam passar despercebidos, mas sustentam a vida.
12 – Respirar e focar no momento presente
O passado não muda e o futuro não está sob controle. O presente é o único espaço possível de ação. Parar, respirar e perceber o entorno, com atenção aos sentidos, é um exercício simples que ajuda a reduzir a ansiedade e a ancorar a experiência no agora.
Fabiano F. é jornalista e escritor de livros como “Outro Lugar de Mim” (Ed. Labrador). Visite: www.fabianof.com e siga-o nas redes sociais: @fabianoautor










