Orgulho: Um veneno que mata nossas relações

Fabiano F.

orgulho (1)

Não tenha orgulhos bobos daqueles baseados em aparências, títulos, cargos, objetos comprados e elogios vazios. Tenha orgulho da sua história, lutas, fracassos e vitórias, dores e amores, erros e acertos. Tenha orgulho da pessoa que você é lá no fundo, em essência, e não da pessoa que você muitas vezes tenta ser só para satisfazer os outros e a hipocrisia da sociedade.

O orgulho é uma faca de dois gumes. Se em certa dose é positivo, quando baseado no sentimento de autorreconhecimento por uma conquista, por outro lado pode ser um veneno para as relações e para a construção da própria trajetória.

Nos dias de hoje, a enorme exposição a que estamos submetidos na internet nos deixa à mercê do orgulho o tempo todo. Do menor feito ao mais extravagante, incluímo-nos por meio de imagens e palavras à pretensão de ser superior aos demais, manifestando ostensivamente nosso orgulho de ser quem somos e de estar onde estamos.

As poses para as câmeras de nossos telefones celulares captam a necessidade de provar para nós e para os outros o quanto estamos orgulhosos pela paisagem da viagem, pelo colorido do prato gourmet ou pelo grupo alegre e bem-sucedido que é “flagrado” sorridente. As mensagens são subliminares e só com um olhar mais atento é que conseguimos entender o que está nas entrelinhas: um apartheid entre o “eu” e o “resto do mundo”.

Ao nos promover o tempo todo, apegamos-nos aos ínfimos detalhes e vamos construindo uma imagem fragilizada, que se diluirá no primeiro baque que a vida fatalmente nos dará. Temos orgulho do efêmero e da ilusão que criamos para enfrentar nossas verdadeiras dores.

O orgulhoso flerta com a arrogância e manifestações ostensivas, que em grande parte não tem fundamento algum. É só a imagem ensaiada para um registro que perece tão fácil e, por isso, precisa de esforço e manutenção exaustiva. Quando agimos com esse lado sombrio do orgulho, insistimos em nos colocar em um patamar diferente daqueles que nos cercam, separando-nos do todo, em uma eterna disputa guiada pelo desprezo.

O orgulho nos faz acreditar que somos muito mais do que na realidade somos. Com isso, perdemos a humildade necessária ao aprendizado e à abertura para o novo. Como nos embriagamos com o reconhecimento imediato dos nossos feitos, fechamos-nos para as possibilidades. Afinal, somos os “tais” e nos orgulhamos muito por isso.

Focar demais em si tem se tornado uma doença social, cujas consequências desastrosas já despontam nas dificuldades das relações cotidianas. Como bebe na fonte da vaidade e da soberba, o orgulho cega e nos faz passar por cima dos outros sem ao menos perceber, achando que estamos somente exercendo nosso direito de ir e vir, quando, na verdade, estamos extrapolando.

Precisamos urgentemente sair da prisão do orgulho, pois ele é uma das maiores barreiras do autoconhecimento e crescimento. Quem está muito cheio de si nunca terá espaço para desfrutar das maravilhas contidas no rico universo do outro.

 

Fabiano F. é jornalista e autor de livros de autodesenvolvimento, como o livro “Enfrente”, de onde este texto foi extraído. Email: fabianoescritor@gmail.com

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