O FEMINISMO IDEOLÓGICO

Zenita Almeida

          Desde adolescente, que eu sou ativista quando o assunto é feminismo. Já nasci com o DNA de liberdade defendendo o meu direito sagrado de mulher. Nunca pensei em homem como projeto de vida, mesmo sem deixar de sonhar em construir uma família que me tivesse de forma parceira, mas nunca de forma submissa.  Comecei trabalhando muito nova ajudando meu pai que era comerciante. Em consequência de sua morte, fiquei desamparada como filha única e, minha mãe já havia falecido. Durante minha carreira, trabalhando como Executiva, assessorando Líderes importantes, me reuni com algumas colegas e formei o primeiro Sindicato de uma categoria. Meses depois, criamos o Conselho da Mulher Executiva e vinculamos à Associação Comercial de Maceió. Através desse Conselho, criamos vários projetos para beneficiar mulheres profissionais de toda natureza, um deles defendendo a mulher do campo trabalhando como escrava para usineiros. O objetivo do nosso Conselho não era político, mas sim para a defesa da mulher independentemente do nível social, raça, cor, ou religião. Em nossas reuniões mensais, aconselhamos, discutimos, elogiamos e fizemos o nosso planejamento de trabalho com muito afinco e amor. Encaramos muitos gabinetes de políticos e empresários para pedir ajuda, viajamos Brasil afora dando palestras, cursos, e também participando de Congressos e Seminários. Conseguimos inclusive o primeiro Banco Cidadão para pequenos empréstimos  para que as mulheres mais humildes pudessem montar seu pequeno negócio e ajudar no orçamento da família. Construindo meu caminho cheio de liberdade, estudei bastante, foi com muita dedicação que conquistei 3 diplomas de bacharelado, uma pós-graduação e muitos outros cursos que enchem o meu coração de orgulho e felicidade.. 

          O tempo evoluiu e veio o advento da internet. Os valores foram se distanciando e se transformando. Hoje os movimentos feministas são totalmente ideológicos. Os movimentos feministas se tornaram defensores de seus interesses políticos, e, suas formas de protestos são bem mais modernas, como por exemplo, ficar despidas nas principais avenidas das grandes cidades, fazer baderna nas universidades com bebidas alcoólicas e drogas, dançar funk em rebolado sensual como objeto de desejo, usar as redes sociais para falar sobre suas experiências sexuais, como a deputada que usou a tribuna da Câmara para usar o vocabulário mais chulo de como se chega ao orgasmo ao invés de lutar pelos seus ideias. Nenhum movimento feminista se manifesta com boas ações de mulheres fantásticas, como a jovem senhora que se jogou em um avião em chamas para tentar salvar a vida de um jornalista brasileiro, enquanto outros assistiam com celulares na mão filmando a tragédia. Ninguém fala ou enaltece a catadora de lixo que passou no vestibular de artes plásticas. Vale lembrar também da cientista e pesquisadora brasileira e negra que ganhou um prêmio internacional e uma bolsa para estudar na Suíça. Não podemos esquecer casos como a da policial que atirou e matou um bandido na porta da escola de seu filho, quando foi abordada em um assalto, salvando também as outras crianças que estavam sendo deixadas ali por suas mães, e tantas outras mulheres incríveis que temos nesse mundo. E que o espaço é pequeno para descrever aqui todas elas, mas ressalto que nunca foi visto um só manifesto solidário para essas brilhantes guerreiras.  A morte da vereadora Marielle até hoje é reverenciada pelos movimentos feministas inclusive em outros países, e sabe por que? Porque tinha referência e ideologia política, caso contrário sua tragédia estaria esquecida no anonimato como tantas outras. Que tipo de feminismo é esse?

          Meus valores não mudaram minha liberdade de pensar em me expressar e meu conceito sobre o feminismo também não. Hoje eu vivo retraída, prefiro não me envolver nesses movimentos com os quais eu discordo. Depois de 45 anos de carreira, me aposentei e me engajei em outras atividades. Sou jornalista, escrevo sobre moda, beleza e comportamento para um jornal local na minha cidade. Também dou cursos profissionalizantes, palestras de motivação, faço voluntariado em alguns projetos com umas colegas ajudando lar de idosos, creches, pacientes em hospitais, crianças com câncer… ajudando me sinto bem melhor.

 

 

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