COVID-19 e as recomendações na volta às aulas

Manoela Maia McGovern

volta as aulas

            Com o início do ano letivo e o outono se aproximando, o que acaba aumentando o número de doenças infecciosas entre as crianças, pais e responsáveis estão naturalmente preocupados de os filhos terem um retorno seguro à escola. Já são quase três anos de pandemia e, mesmo a situação sendo muito melhor hoje com a maioria da população vacinada e os médicos mais preparados para tratar a COVID-19, novas variantes estão surgindo trazendo questionamentos sobre o assunto novamente como o uso de máscaras nas escolas.

             Muitas cidades dos Estados Unidos já retornaram às aulas, mas nos estados de Nova York e Massachusetts, os alunos só voltam na primeira semana do mês de setembro, após o feriado do dia do trabalhador, o Labor Day. No país, já são mais de 93 milhões de casos, com cerca de um milhão de vítimas fatais. Só em Nova York, 70 mil pessoas morreram entre os quase seis milhões de casos da doença. Já no Brasil, o número total de pessoas contaminadas até agora é de um pouco mais de 34 milhões, com quase 700 mil vítimas fatais. Todos nós sabemos que as crianças são menos propensas a serem infectadas do que os adultos e, que além disso, o número de mortes e hospitalizações é bem menor na faixa etária dos menores de 18 anos. No entanto, isso não impede de que exista uma cautela sobre como lidar com a situação de uma maneira mais segura.

A médica pediatra e vice-presidente da Americares, Julie Varughese diz que para proteger a família da infecção por COVID-19 é preciso ter uma abordagem que envolve vários fatores. Primeiro, para evitar casos agudos da COVID-19 é preciso manter-se sempre atualizado com a vacina, que é extremamente útil para evitar que as crianças fiquem gravemente doentes. “Agora, nos EUA todas as crianças acima de 6 meses podem receber a vacina contra COVID-19. E crianças com 5 anos ou mais, além de poderem ser vacinadas também podem receber uma dose de reforço 5 meses após o término das duas primeiras doses. Ou 3 meses depois, se tiverem alguma doença autoimmune”, relata Dr. Varughese. A doutora Julie Varughese diz também que além das vacinas, os pais devem incentivar os filhos a lavar as mãos com frequência na escola e mantê-los em casa quando estiverem doentes.

            Além da vacinação, usar máscaras em ambientes internos e públicos é outra medida importante para ajudar a reduzir a infecção e prevenir doenças graves. O SARS-CoV 2 é um vírus respiratório e o uso de máscaras pode reduzir a disseminação do vírus que é transmitido pelo nariz e a boca. “Se seu filho estiver indo para a escola em uma área que tenha um alto índice de casos de COVID-19, ou se alguém morando na mesma casa for idoso ou tiver uma saúde fragilizada, como por exemplo, tiver alguma doença autoimune, o CDC – Centro de controle de doenças dos EUA, recomenda que a criança use máscara em espaços internos, principalmente na escola porque isso irá oferecer uma maior proteção contra uma possível infecção por COVID-19, embora elas possam optar por usar mesmo sem a influência desses fatores”, afirma. A médica pediatra conta que os requisitos de uso de máscara variam de estado para estado e de distrito escolar para distrito escolar. Portanto, seria necessário primeiro verificar quais são as regras da escola do seu filho.

            Ainda na escola, outra questão relevante entre os pais são as atividades extracurriculares. A novaiorquina, médica e mãe de duas filhas em idade escolar, Ruth Sarmiento, fala da importância das crianças voltarem a ter uma vida o mais normal possível. “Eu sou a favor das minhas filhas se envolverem em atividades extracurriculares, com certeza! Mas, quem não estiver se sentindo 100% seguro, pode optar por uma atividade ao ar livre, por exemplo. Vale lembrar que essa opção se tornará um pouco difícil à medida em que o tempo começar a esfriar com o inverno chegando. Nesse caso, eu diria que seria interessante considerar o uso de máscara para ambientes internos. Mas acredito que este vírus não vai a lugar nenhum. Existem outros coronavírus circulando que causam doenças respiratórias como o resfriado comum, e do mesmo jeito que todos os anos lidamos com a gripe, agora estamos aprendendo a conviver com o SARS-CoV2”, diz Ruth. Ela ainda desabafa dizendo que é preciso que os pais tomem precauções para mitigar riscos da doença, mas que isso não impeça  dos filhos aproveitarem os poucos anos que eles têm na infância para crescer, explorar e prosperar.

Já no Brasil, assim como nos EUA, o médico infectopediatra Victor Horácio, também reforça a importância de da máscara e de ficar atualizado com o calendário de vacinação. “Se pegarem o vírus as crianças podem até desenvolver a doença, mas se estiverem vacinadas não vão ter a forma grave da doença. Ressalto a importância das famílias vacinarem seus filhos para impedirem a forma grave da doença e evitar um desfecho desfavorável, que seria o óbito. Portanto, vacinem seus filhos”, recomenda Horácio. O médico menciona também que algumas medidas ajudam na prevenção de uma possível contaminação da COVID-19. “Dependendo da taxa epidemiológica da cidade, comportamentos como o do uso do álcool gel e da máscara, podem evitar que as pessoas sejam contaminadas. E além disso, a gente sabe que hoje a tendência é você ter cada vez mais frouxidão das medidas de contenção e isolamento pelas autoridades, mas na medida do possível é importante evitar a aglomeração. Nós temos consciência que número de casos tende a diminuir, e já está diminuindo, mas ao mesmo tempo a gente sabe que a pandemia ainda não acabou”, finaliza.

            Portanto, cabe aos pais e responsáveis usarem o bom senso no retorno às aulas. Se a criança já tiver sido vacinada há mais de 5 meses, já pode tomar a dose de reforço para garantir uma proteção maior contra a COVID-19. Se ainda não tiver recebido a vacina, seria de extrema importância seguir as recomendações da maioria dos médicos, do CDC e também da Organização Mundial da Saúde de usar máscara, manter o distanciamento social e o uso do álcool gel, para evitar contaminação de um possível quadro grave da doença. Afinal, mesmo sabendo da importância da ciência e das pesquisas, no fim sabemos que cada indivíduo quer o melhor para os seus filhos e cuida deles como acha mais prudente, especialmente no retorno às aulas!

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