BLINDAGEM EMOCIONAL

Fabiano F.

emocional

Blindar-se é separar o que é seu do que é do outro. É uma atitude para não se deixar contaminar pela confusão mental de quem o cerca. Se você faz sua parte para manter o equilíbrio, por que não prestar ainda mais atenção para não se deixar levar pelos problemas alheios?

Quando estamos muito cansados, estressados ou mesmo frustrados e decepcionados com acontecimentos do dia a dia, fatalmente estamos com as emoções desprotegidas. É quando qualquer palavra vinda do outro pode se transformar em um ataque ou motivo para aborrecimentos diversos. Quando não “blindamos” nossas emoções, ficamos propensos a fazer tempestade em copo d’água e a dar um peso gigante a coisas pequenas. Sem proteger o emocional facilmente nos magoamos ou tomamos para nós as dores que são dos outros.

Acredito que o “gerenciamento emocional” é a melhor maneira de não deixar que acontecimentos externos afetem nossa mente a ponto de tirar nosso equilíbrio. Aprender a gerenciar e dar a devida interpretação a cada fato e emoção é fundamental para viver nossa própria jornada sem sofrer por pessoas ou situações que não podemos mudar.

Boa parte do sofrimento emocional vem da ausência de uma interpretação mais coerente da realidade. Quando não nos apoiamos em nossos valores positivos e não nos respeitamos, damos brecha para que qualquer acontecimento tire nossa paz. Pense em quantos problemas você já poderia ter evitado se não ficasse à mercê do temperamento emocional dos outros. Blindar-se é separar o que é seu do que é do outro. É uma questão de escolha e atitude para não se deixar contaminar pela confusão mental de quem o cerca. Se você faz sua parte para tentar manter o equilíbrio, por que não prestar ainda mais atenção para não se deixar levar pelos problemas alheios?

Quando criança aprendi uma pequena oração com minha mãe e que, para mim, tornou-se um poderoso ensinamento de “Blindagem Emocional”. Toda manhã, ao acordar, ela me estimulava a repetir as seguintes palavras: “Senhor, peço que hoje feche os meus olhos para o que eu não preciso ver, tape meus ouvidos para o que não preciso ouvir e cerre a minha boca para o que não preciso falar”. Simples assim, mas de profundo significado.

Hoje, passados muitos anos e com uma releitura dessas palavras, percebo o quanto elas têm conexão com a proteção das emoções. É justamente disso que precisamos: blindar-nos. O barulho externo é cada vez maior. O apelo que rouba nossa atenção e energia é muito forte. Daí a necessidade de criar um escudo para não se abalar por fatores que nada tem a ver com você. A rápida evolução da comunicação nos dá vez e voz de uma maneira que chega a assustar.

Com tanta liberdade estamos perdendo a capacidade de refletir antes de nos comunicar. Ao sair falando, vendo, ouvindo e postando sem nenhum filtro, acabamos absorvendo muito do que não é necessário para nosso equilíbrio. Se não escolhemos a melhor maneira para nos comunicar com o mundo externo, perdemo-nos em nosso mundo interno. Preste atenção: quantas coisas você tem visto, ouvido e falado sem necessidade? O que você tem comunicado é realmente relevante para você e para os que o ouvem? O que você se dedica a ver e ouvir, seja nas rodas de conversa ou pelos meios de comunicação, tem acrescentado coisas boas em sua vida?

As respostas a estas perguntas dão o início para um redirecionamento da atenção e ações. Selecione melhor o que faz parte da sua rotina, dos seus relacionamentos e do seu aprendizado. Já diz o antigo ditado: “É preciso separar o joio do trigo”. Experimente treinar isso com esses três sentidos fundamentais: visão, audição e comunicação. Ao fazê-lo, você estará blindando suas emoções e evitando desperdiçar energia com o que não acrescenta. É de pessoas emocionalmente equilibradas que o mundo precisa. Seja uma delas!

Fabiano F. é jornalista e autor de livros de autodesenvolvimento, como o livro “Enfrente”, de onde este texto foi extraído. Email: fabianoescritor@gmail.com

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