A SAÚDE DOS IMIGRANTES 

Heloísa Galvão

          Recentemente eu estava em uma sala de aula com estudantes universitários e a maioria queria saber sobre a saúde dos imigrantes. Parece que o tema está na moda. Muito natural, afinal talvez nunca se tenha tido um êxodo tão grande de seres humanos, e de animais também. Foge-se do calor ou do frio extremos, foge-se da seca e da falta de alimentos. Foge-se da opressão e do extermínio. da violência e da perseguição. A gente, geralmente, muda de um lugar para outro por uma única razão: em busca de uma melhoria de vida. Quando a mudança é forçada, é exílio. Isso é o que acontece com o povo brasileiro. Vem em busca de estabilidade financeira e humana. Vem porque acredita que Os Estados Unidos da América é a solução para todos os problemas. Talvez até seja se houver trabalho, com um salário decente podendo viver dignamente.

          Quando penso em saúde, penso em uma série de fatos que geram este êxodo enorme de homens, mulheres, crianças para um país tão diferente de tudo que entendemos na vida. Não acho que imigrar seja ruim, pelo contrário, acredito que a mudança, a obrigação de rever conceitos e hábitos, é saudável. Mas a falta de preparo e de estrutura, a crença enganosa de que tudo será maravilhoso, não é. E o que nos leva a deixar o chão onde nascemos e crescemos, onde conhecemos tudo e todos e onde nos sentimos tão seguros? Aí está a raiz da nossa falta de saúde. E para entender este ciclo vicioso temos de saber um pouco de história. É preciso voltar lá no início do século dezenove, quando controle e poder passaram a ser o combustível que move o mundo. 

          A situação social e financeira do Brasil não é só resultado de maus governos. É o resultado esperado de planos políticos perpetrados para garantir que somente uma porcentagem bem pequena, o famoso 1% privilegiado da população, se perpetue no poder e tenha controle político e econômico. Governos em geral não têm interesse em dar voz ao povo. Povo empoderado é povo que pensa, reflete, decide, confronta e indaga. Que governante, com raríssimas exceções, quer liderar um povo que sabe seus direitos? Afinal, quando o povo pensa, não elege governantes da qualidade dos que temos. E aí, repito, está a raiz das nossas doenças: sofremos com a desigualdade, a opressão, a injustiça, a violência. Elas provocam os nossos cânceres, asmas, diabetes, viroses nem identificadas, entortam nossos ossos e calam nossa voz. Quando finalmente entendermos bem esse processo, estaremos mais perto da cura.

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