OS MEDOS HERDADOS

Estava no playground com os meus filhos e o caçula, Benjamin de 5 anos, de repente se pendurou nas barras (conhecidas aqui em Nova York como Monkey bars) e começou a passar de uma para outra com as pernas penduradas e usando apenas a força dos braços. A distância do chão não era muito alta, mas o suficiente para ele se machucar caso caísse de mau jeito. Cada vez que ele tirava a mão de uma barra para passar para outra, eu torcia quieta para que ele conseguisse se agarrar na próxima. E foi então quando surgiu aquele momento em que você bate nas costas e diz: parabéns Manoela, você conseguiu mudar o comportamento apreensivo que tinha.

Eu era aquela mãe que o filho não podia soltar a minha mão que eu já gritava com medo dele se perder. Subir em algum lugar então, nem pensar com medo dele se machucar! Do ponto de chegar a ter taquicardia em certas situações. “Será que ele vai trombar em alguém e meter a cabeça? Será que ele vai cair dai?” Eu era desse jeito! Era uma manhã de outono linda e eu estava em um parque onde fui “acampar” com um casal de amigos e a filha deles. Um local bem bacana perto da cidade de Nova York chamado Yogi Bear mountain. Você pode levar a sua própria cabana, mas cada família ficou em um trailer com dois quartos e um banheiro. O meu filho amou a experiência. Varias atividades eram oferecidas entre derreter marshmallows na fogueira, música ao vivo, pedalinho no lago e um pula pula gigante. O tal do pula pula era como se fosse um enorme colchão de ar. Não tinha paredes, portanto a mãe medrosa aqui ficou bem do lado caso ele caísse do colchão. Percebendo a minha aflição, a minha amiga alertou: se acalme, nada vai acontecer! Se você demonstrar o seu medo, ele vai crescer medroso também. E aquelas palavras fizeram com que a ficha caísse e eu percebesse que estava exagerando.

Hoje em dia eu ainda tenho medo, mas bem menos. E me controlo. Ao invés de ficar gritando “você vai cair”, “você vai se machucar”, eu fico do lado caso algo aconteça, quieta sem falar nada. Ou eu apenas digo: segura firme filho, você vai conseguir! Eu cresci com medo de tudo. Minha mãe sempre foi muito medrosa. Até hoje é! Talvez herança da minha avó que deixava ela fazer nada. Outro dia eu estava com ela no FaceTime e quando mostrei o meu filho descendo da barra no playground (aquelas tipo de bombeiro sabe?), ela quase morre do coração. As coisas mais “perigosas” que aprendi na vida, eu me aventurei e aprendi sozinha. Pegava a bicicleta do meu irmão escondida e dava voltas dentro do prédio que morava. Cai bastante, ralava os joelhos, mas não desisti até que aprendi. E foi assim também para aprender a nadar e a dirigir. Tudo iniciativa minha, sem a minha mãe morrendo de medo por perto (risos).

Sou muito grata por ter conseguido perceber que estava errando em criar o meu filho mais velho desse jeito, com receios e medos. Graças a Deus que essa mudança veio a tempo para que o Daniel pudesse voar com as próprias asas. E ainda posso dizer que o segundo filho veio para me ajudar com essa missão de mãe destemida (e esse veio com todo gás para testar todos os meus limites).  Vendo o caçula se aventurar, o mais velho começou a ficar destemido também e, graças ao meu processo de auto-conhecimento, hoje eu tenho dois filhos que não têm medo de subir em nada ou de experimentar algo novo.

E você, o que você teve que mudar para ser um (pai, mãe, avó ou avô) melhor? Me conta aqui nos comentários! Vou amar saber.

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