05/06/2017 - 13:01

Mexeu com uma mexeu com todas


Mexeu com uma Mexeu com todas, hashtag #chegadeassédio, foi uma campanha estampada em camisetas usadas por mulheres que formam o grupo de funcionárias, colaboradoras, artistas e executivas da Rede Globo, após á denuncia de assédio sexual sofrido pela figurinista Susllem Tonani pelo ator José Mayer.

O conhecido e famoso ator personagem de famosos filmes e novelas, ganhador de vários prêmios pelo seu brilhante trabalho, se achou tão superior no seu comportamento machista que teve a ousadia de ir muito além das cantadas, tocou nas partes íntimas sem a menor chance de defesa da figurinista, que procurou de imediato o departamento de Recursos Humanos e um blog de notícia do jornal de maior circulação do país para denunciar o atrevimento do cafajeste, que para minimizar o estrago da sua carreira, depois que a Globo publicou uma nota suspendendo-o de toda e qualquer produção por tempo indeterminado, se retratou através de uma nota, se dizendo vítima de uma criação machista da sua geração.

Sinceramente Sr. José Mayer, me poupe da sua justificativa triplicamente machista e cafajeste muito pior do que sua atitude de mau caráter. Que belo exemplo para sua mulher e suas filhas não? Fatos como este ocorrem diariamente no mundo corporativo. A mulher é submetida diariamente ás mais diversas formas de violência morais, físicas e psíquicas. Mesmo reconhecendo que já almejamos grandes conquistas, a desigualdade de gênero continua em toda parte do mundo e se arrasta a século de geração a geração.

Na última pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana. Em 2015, a agência de empregos Catho também divulgou uma análise sobre uma desigualdade salarial de 30% no país.

A discriminação sofrida pela mulher também tem origem histórica. Todas nós conhecemos a história que registra o início do século XIX onde as organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos EUA contra as desigualdades no mercado de trabalho, os serviços que poderiam prestar eram somente aqueles equivalentes ao papel submisso.

O dia 8 de março de 1857 ficou reconhecido por surgir os movimentos grevistas. Trabalhadoras de uma indústria têxtil de Nova Iorque foram reprimidas com violência policial. As reivindicações eram numerosas como: redução de 16 para 10 horas de trabalho (ou seja, equiparar a carga diária feminina à carga diária masculina) e aumento salarial (as funcionárias ganhavam 1/3 do salário dos funcionários.)

Até que no dia 25 de março de 1911, um incêndio criminoso na fábrica da Triangle Shirtwaist matou aproximadamente 120 grevistas - a maioria costureiras. O "Dia Internacional da Mulher" foi oficialmente reconhecido em 1975 quando a Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou a data em memória das trabalhadoras assassinadas, e somente em 1951 - 40 anos depois do incêndio - a Organização Internacional do Trabalho (OIT) oficializou a igualdade salarial e da jornada de trabalho. Porém, ainda hoje notadamente as desproporções salarias ainda existem em todo o mundo.

Não devemos parar de lutar pelos nossos valores, ainda que as conquistas sejam para nossa futura geração, porque se estamos hoje aqui com o direito de expressar a nossa revolta reivindicando os nossos direitos, devemos as vidas sacrificadas e ceifadas de nossas ancestrais. Vamos sim, denunciar atitudes de violência machista como a deste ator José Mayer ou de qualquer outro, vamos sim, gritar na frente de batalha pelos nossos direitos de igualdade não do macho, porque temos orgulho sim da nossa condição feminina, queremos sim, respeito, porque nós merecemos.



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