09/02/2017 - 20:27

Ficar de braços cruzados na época de Trump não ajuda


Os últimos acontecimentos políticos nos Estados Unidos comprovam porque nós temos a tendência de achar que esse país é o melhor do mundo. O sistema legal funciona, até certo ponto e com falhas, obviamente, mas funciona. A prova maior é a suspensão temporária que juízes em várias cidades do país impuseram na ordem executiva do Presidente que baniu de entrar no país cidadãos de sete países, criando uma crise humanitária sem precedentes. Esses juízes deixaram seus afazeres familiares de fim de semana e entraram pela madrugada julgando processos encaminhados pelos advogados das vítimas e tomaram a decisão, acertada, de suspender, pelo menos temporariamente, a ordem presidencial.

Eu desconfio que mais e mais vamos assistir acontecimentos como estes nos dias, semanas e meses que estão por vir. Nem o Presidente vai desistir de tentar colocar em prática as medidas autoritárias e desumanas prometidas durante sua campanha eleitoral, e nem o sistema legal vai ficar inerte e conformado. É isso exatamente que precisamos, pessoas com conhecimento, vigilantes e prontas para agir e para impedir que os direitos constitucionais, cívicos e humanos das pessoas sejam violados.

A marcha das mulheres promovida dia 21 de janeiro no país inteiro, além de reunir bilhões de pessoas, reviveu o movimento feminista e o protesto de rua em larga escala, como não se via desde os anos 60, e os protestos contra a Guerra do Vietnam. O fato que milhões foram às ruas - 175 mil em Boston, 500 mil em Washington - demonstra que o povo está decidido a também exercer sua cidadania na expressão mais ampla da palavra.

Algumas pessoas me confessaram que não foram porque “eu não sabia o que podia acontecer”. Bem o que aconteceu foi o que a mídia do mundo inteiro mostrou, uma marcha pacífica de mulheres, homens e crianças, exercendo seu direito de livre expressão. Na marcha da sexta-feira dia 20, em Boston, uma das pessoas fazendo a segurança era uma mulher grávida de uns oito meses. Se ela podia estar ali se expondo, quem sou eu para me encolher?

Além disso, nós sabemos muito bem que o medo não protege, só imobiliza. E quem está acostumado a ir à marcha e rally em Boston, em Washington, e em outras cidades sabe bem que são pacíficas e a polícia só está lá para garantir a segurança das pessoas, organizar o tráfico, coisas desse tipo.

Daqui para frente vai ser assim, todos os dias haverá protestos e demonstrações pelos quatro cantos do país e do mundo. A nossa missão é ficar informada desses protestos e ir naqueles que podemos. O silêncio e a ausência são omissões imperdoáveis nesta hora de luta em que uma maioria esmagadora decidiu se levantar e ir à luta pelos direitos de todos os seres humanos.

Há várias maneiras de participar, além da presença física. Definitivamente o silêncio e a inércia não são uma delas. Ache a sua forma de participar, de ser atuante e assuma seu papel de cidadã ou cidadão.



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