26/11/2016 - 20:31

Os que as nossas “Marias” da limpeza precisam saber


Maria chegou há dois meses, mala cheia de esperanças e sonhos em uma mão e duas crianças na outra. Trabalho não foi problema. No dia seguinte ela estava dando help para uma dona de schedule. Menos de duas horas depois, deu entrada na emergência de um hospital em Boston com várias fraturas. A dona de schedule deu carona e avisou: “Não diga que você estava trabalhando”. Maria não disse e perdeu a chance de receber uma compensação financeira que com certeza iria garantir comida na mesa da família.

A saga de Maria, por mais dolorosa e injusta que seja, infelizmente não é um caso isolado. Como não é novidade a exploração que muitas trabalhadoras domésticas sofrem nas mãos de pessoas inescrupulosas que colocam o lucro acima do bem-estar do ser humano. Durante treinamentos da Cooperativa de Mulheres Vida Verde, as histórias se repetem: 10 à 12 horas de trabalho por dia, 7 a 8 casas por dia para limpar, e ganho de $120 a diária, sem horário de almoço.

As condições de trabalho a que essas mulheres são expostas são excruciantes. Longas horas, produtos químicos fortíssimo, humilhações e muito mais. Dá para imaginar que não leva muito tempo para o corpo começar a dar sinal de exaustão. Aí os problemas ficam ainda piores. Se ficar doente, não trabalha. Se não trabalha, não ganha. Se não ganha, não come.

Maria e todas as suas companheiras de profissão precisam saber que em Massachusetts existe uma lei das trabalhadoras domésticas que as protege e, que há agências que trabalham para fazer a lei funcionar e organizações para informar. Por exemplo, quem trabalha mais de 40 horas semanais para a mesma patroa, deve receber pagamento pelas horas extras. O salário deve ser calculado por hora e não por dia. Ou pode ser pelo número de casas limpas. Patroa e funcionária devem assinar um contrato detalhando o trabalho, o salário, horário de trabalho e algum benefício que será dado. Isso se aplica a qualquer pessoa que trabalha mais de 16 horas por semana para a mesma patroa.

Mais importante ainda é as trabalhadoras saberem que a lei as protege independentemente de status imigratório. É ilegal patrão ameaçar chamar a imigração. Todos os trabalhadores tem o direito de serem tratados com dignidade e respeito.

Muitas trabalhadoras acham difícil obter informação, principalmente quem acabou de chegar por desconhecer que os órgãos do governo, como a Procuradoria Geral do Estado, postam em várias línguas, inclusive português. Essas também desconhecem os grupos comunitários que trabalham em parceria para garantir o direito de todos.

É necessário que haja uma disposição firme de se informar e de acreditar que há outros caminhos que não levam à exploração.



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