18/09/2016 - 18:07

Um mosquito e três doenças: Dengue, Chikungunya e Zika


Nesta e na próxima colunas vamos resumir um assunto que tem aparecido com frequência na mídia dos Estados Unidos: o crescimento da Chikungunya e Zika, no Brasil. Porém, para tratarmos do tema da melhor maneira temos que falar dos mosquito Aedes Aegypti e Aedes Albopictus, que transmitem os três virus e se tornaram os inimigos número um das autoridades sanitárias do Brasil desde o início de 2016. A dengue já é conhecida de todos desde os anos 1980 e por isto não vamos dedicar atenção a ela. Acredito que quase todos os brasileiros adultos que residem em Massachusetts ou tiveram ou conhecem bastante gente que já teve dengue, porque nas últimas décadas milhões de brasileiros foram infectados pelos virus da dengue e muitos sofreram com a febre e as dores ósseas comuns a quem adoeceu com dengue.

O nome chikungunya significa “aqueles que se dobram” em swahili, um dos idiomas da Tanzânia. Refere-se à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos na primeira epidemia documentada, na Tanzânia, localizada no leste da África, entre 1952 e 1953. Os principais sintomas da doença são febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos, nos dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer, também, dor de cabeça, dores nos músculos, e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos não tem sintomas. Essas manifestações podem perdurar por longo período, já tendo sido observadas até 2 anos após o início dos sintomas. O tratamento para o controle da dor não funciona bem e isso compromete em muito a qualidade de vida da pessoa doente.

O vírus é transmitido pela picada da fêmea de mosquitos infectados: o Aedes aegypti é mosquito urbano de áreas tropicais e no Brasil se associa à transmissão da dengue e zika;  o Aedes albopictus está presente majoritariamente em áreas rurais, também existe no Brasil e  pode ser encontrado em áreas urbanas e peri-urbanas em menor densidade. O mosquito adquire o vírus CHIKV ao picar uma pessoa infectada, durante o período de viremia. Quem apresentar a infecção fica imune para o resto da vida. O vírus só pode ser detectado em exames de laboratórioespeciais. Acredita- seque o virus chegou no Brasil em 2014 via pessoas doentes originários principalmente do Haiti e da República Dominicana.Em 2015 a chikungunya estava presente em 696 municípios brasileiros e até abril de 2016 a doença já foi vista em 1.126 municípios. Em 2015 o número de casos no ano todo chegou a 13.236, enquanto até abril de 2016 já houve 6.156 casos confirmados. Em 2015 ocorreram 6 casos de óbito e até abril de 2016 já houve 12 casos confirmados laboratorialmente; 9 deles ocorreram no Recife.

Segundo o infectologista Ricardo Venâncio, diretor da Fiocruz do Mato Grosso do Sul, “a chikungunya está em franca progressão. A tendência, é que os casos novos de chikungunya apresentem o mesmo comportamento sazonal das epidemia de dengue, com elevação nos períodos mais quentes e mais chuvosos do ano, fato que varia entre as várias regiões do Brasil.”  Como a maioria da população brasileira nunca teve esta doença e o mosquito Aedes está espalhado por todo o Brasil, se espera que que o número de casos aumente até que um grande número de brasileiros se torne imune. Ninguém pode prever quando isto vai acontecer. Portanto, enquanto houver pessoas infectadas e bastante gente picada por mosquitos infectados pelo virus, a incidência da doença vai ser alta.

Além disto, como não existe tratamento para curá-la a melhor solução para todos é melhorar o saneamento básico no Brasil, o que significa expandir o fornecimento de água tratada e aumentar a rede de coleta de esgoto para tratamento adequado. Enquanto isto, todos podem ajudar evitando que recipientes e objetos, como latas, pneus, vasos de plantas, entre muitos outros, acumulem água e sirvam de criadouros para o mosquito. Quem for ao Brasil este ano deve ver cartazes por todos os lados pedindo que a população coopere no combate a Zika. Na verdade, o combate deve ser contra as três doenças porque os mosquitos transmitem as três sem perguntar a ninguém qual o virus que os infectou. Na próxima coluna resumiremos a situação da Zika.

Fonte: dados usados nesta coluna é uma publicação da Rede Zika, Dengue e Chikungunya, da Fiocruz. 



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