18/09/2016 - 18:02

O que há em comum entre a eleição nos E.U.A., Olimpíadas e Impeachment de Dilma


Uau! Que verão este de 2016. Além dos muitos dias seguidos de calor e sol, para ninguém botar defeito, as Olimpíadas no Brasil monopolizaram as atenções do mundo, chego a dizer mais até do que as convenções políticas. A primavera se foi com as agitações do processo de impeachment da Presidenta Dilma Roussef e o outono entra com muitas expectativas de uma eleição difícil nos Estados Unidos.

Um fato liga estes três acontecimentos: o impeachment, as eleições presidenciais norte-americanas e as Olimpíadas. Este fato é a facilidade com que tendemos a reforçar estereótipos muitas vezes sem ao menos percebermos que ajudamos a perpetuar a injustiça, a discriminação de gênero e o preconceito.

Por exemplo, por que vocês acham que o nadador norte-americano Ryan Lochte, 32 anos, 12 medalhas, inventou a história de um assalto mirabolante no Rio de Janeiro, que provavelmente vai enterrar sua carreira de esportista, além de entrar para a história como um dos maiores embaraços da história das Olimpíadas?

Com certeza ele apostou que sendo branco, homem, bonito e famoso ninguém iria disputar sua versão de um assalto armado em uma cidade cuja violência os jornais começaram a cantar muito antes das Olimpíadas brasileiras. É muito fácil a gente fazer uma imagem do que acreditamos ser verdade e que com o tempo até acreditamos ser. No caso do Lochte, ele apostou no privilégio de ser branco e rico, portanto pertencer a uma classe que a políca geralmente protege sem questionar. Lochte se deu mal porque violência por violência, o que o Rio tem mesmo é muita garra e orgulho de ter organizado uma Olimpíada segura e que deu certo. Não seria um bobo, com miolo de potinha na cabeça que iria arruinar os esforços de toda uma população.

No caso do impeachment de Dilma e das eleições norte-americanas, o denominador comum é o gênero. São duas mulheres que ousam ocupar um cargo tradicionalmente ocupado por homens. Dilma é tratada como “quenca”, ou prostituta no vocabulário popular, burra, incapaz, prequiçosa, além de ser acusada de manipular o orçamento da união o que todos os governantes do mundo inteiro fazem. De corrupção não podem acusá-la até porque os acusadores são eles mesmos acusados de corrupção.

Hillary, como Dilma, é julgada por sua aparência física, incapacidade de governar, é taxada de prequiçosa e ignorante, e quando não se acha mais nada para criticar, desenterra-se o caso Monica Lewinsky e o fato dela ter apoiado o marido traidor. Conclusão dessa história? Em pleno século 21, as mulheres ainda são julgadas por sua aparência ao invés de por sua capacidade, e os homens são sempre creditados como capazes mesmo quando não têm massa cizenta alguma. 



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