28/06/2016 - 14:10

Quando as diferenças acabam em discriminação


Não faz muito tempo, a colunista Joan Vennochi, do The Boston Globe, escreveu sobre o costume de se lançar dúvida sobre a capacidade da mulher de liderar, ocupar cargos públicos, tomar decisões ou administrar. Ao contrário do homens, a mulher é sempre julgada pela sua aparência física e por suas emoções. Ao mesmo tempo, quando a mulher tem uma personalidade forte e age com firmeza, geralmente é caracterizada como máscula, rude, entre outras coisas. Características que no homen são sinal de experiência, charme ou são irrelevantes, como idade, penteado e vestuário, na mulher são vistas como negativas.

Dois exemplos atuais são a candidata a presidenta Hillary Clinton e a presidenta do Brasil Dilma Rousseff. Quem acompanha a vida política de Hillary Clinton conhece sua capacidade de luta. Quando primeira dama enfrentou uma crise após a outra, inclusive as infidelidades do marido, candidatou-se à presidência contra Barak Obama, perdeu mas deu a volta por cima.  Na Secretaria de Estado, um dos ministérios mais importantes, bateu o recorde de seus predecessores, cobrindo 956.733 milhas e visitando 112 países. E testemunhou por 11 horas diante da comissão que investigou o caso Benghazi. Quantos homens fariam o mesmo?

Mesmo assim, Hillary é retratada por Donald Trump como incapaz, fraca, sem credenciais e conhecimento suficiente para o cargo. Os casos amorosos de Trump e até uma acusação de estupro de uma ex-mulher não vêm a baila mas Hillary ter permanecido ao lado do marido no escândalo Monica Lewinsky, é imperdoável.

Com Dilma não é diferente. Desde sua candidatura é acusada de incapaz, pesada, agressiva, dependente do sucesso de Lula, como se não tivesse vida ou valor próprios. Logo ela que ainda adolescente enfrentou a ditadura militar, foi torturada, viveu no exílio, enfrentou um câncer e continua de pé, apesar da forma grosseira e preconceituosa como é tratada por uma parcela dos brasileiros. Fosse Dilma homem seria ela (des)tratada com um “Tchau querida”? Ou um “Balança que essa quenca cái” ou seria ela personagem de centenas de charges homofóbicas?

O que mais me revolta e causa nojo é a facilidade como a mulher é vista como objeto sexual como se capacidade e sexo fossem sinônimos. Um amigo meu, revoltado com este approach costumava alerta que a sociedade de uma maneira geral sempre vê uma cama entre uma mulher e um homem. Será que para uma mulher vencer ou provar que é capaz ela tem que dormir com o chefe? Ou com o amigo? Tem que ter cintura fina, ser loura e gostosa? Por que o homem quando envelhece fica charmoso e a mulher velha? Esse tipo de comportamento é preconceituoso, machisma e discriminatório. Ofende, reprime e diminui a alta estima da pessoa. Acima de tudo é crime.



COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA

              



MAIS NOTÍCIAS