28/06/2016 - 14:08

Quem é o dono do refrigerante? A máquina ou quem depositou a moeda?


Usando esta frase da minha colega Ana Rosa, lembrando das responsabilidades de cada um, aproveito para entrar falando no assunto da hora e que se tornou tema de todas as conversas sobre saúde no Brasil e no mundo: o vírus Zika. Como falamos na última coluna, o vírus se espalhou no Brasil e no resto das Américas e Caribe. Tornando-se uma epidemia, o Zika, que concentrava um grande número de casos de microcefalia no nordeste brasileiro, está apresentando os seus estragos neurológicos em outro países como o Panamá, e até uma morte devido ao  mesmo foi registrada em Puerto Rico. Sem contar os  casos de Guillain –Barré em vários países, incluindo a Colombia.

O vírus, responsável malévolo pela doença tem sido ferozmente combatido , tratando-se de controlar  a proliferação do mosquito  Aedes aegypti, vetor na transmissão do Zika. A mulher grávida virou  foco de atenção, devido à transferência do vírus ao feto que consequentemente desenvolve as alterações cerebrais. A mulher está sendo impedida de realizar o sonho da maternidade e viver de uma forma agradável e calma o tão esperado momento na vida de muitas delas. E aquelas que planejavam o tão esperado filho, hoje se deparam com a recomendação de adiar até “não sei quando” esta gestação.

Apesar correlação do  Zika com a presença de microcefalia, fato confirmado pela Organização Mundial da Saúde e o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) em abril deste ano,    ainda não sabemos muito sobre o vírus. Não sabemos, por exemplo, o porquê dele ter se tornado tão violento, como também quais serão  os efeitos  futuros nas crianças de mães com Zika que não tenham nascido com microcefalia ou que tenham o perímetro cefálico no limite da normalidade.

De todas maneiras, podemos ver que a pressão uma vez mais da sociedade está nos ombros da genitora, que deve se proteger ao máximo. Sendo uma mulher grávida ou em idade fértil, fica sujeita a vestir mangas longas em locais de  temperaturas altíssimas dos paises tropicais. Além do mais, se o filho nasce com microcefalia, a mesma corre o risco de ficar com a responsibilidade de manter o recém-nascido sozinha ou mesmo tendo que escolher um destino que pode até significar ser este bebê abandonado num hospital.

Quando falamos do Zika, pensamos logo nas mulheres. Porém, o homem portador do vírus  não tem sido totalmente alertado do impacto que ele pode causar se não estiver bem informado em como agir  quanto infectado. Hoje sabemos, fato explicado por especialistas  no Simpósio sobre Zika e Saúde  na UMass Boston, nos dias 2 e 3 de maio, que o virus fica no sémen por vários meses e que o homem deveria manter um método de barreira de proteção  de dois a seis meses.

Em outras palavras, o homem exposto ao Zika ou suspeito de tê-lo contraído, ou até mesmo os que visitaram áreas afetadas deveriam se ater de manter  atos sexuais ou fazê-los de modo correto , com o uso de camisinha. E não apenas falamos do brasileiro ou do latinoamericano em geral, mas de todos os homens, sejam hetero, bi ou homossexuais , sendo norte-americanos, europeus ou asiáticos . O uso de preservativo deveria ser uma regra para todos os que viajaram.

É bom lembrar, que o Zika pode ser contraído e a pessoa não saber, e ainda assim estar transmitindo-o a outras pessoas. Você já imaginou os riscos que as mulheres, além de outros parceiros estão correndo? Principalmente aquela, que está gerando um novo ser e que pode se defrontar com uma realidade triste quando visitar o médico e realizar um ultrassom?

Campanhas estão sendo realizadas e o Brasil tenta educar cidadãos de todas as idades, criando um mutirão de crianças para disseminar informação sobre o Zika. Tudo é válido mas, de todas maneiras, o lado mais pesado nesta situação do Zika ainda é o das mulheres. Mulheres que levam a cabo uma gravidez e que não tem escolha de decidir o que fazer. Aí eu volto para a pergunta inicial deste meu artigo. Se um filho tem microcefalia, de quem é a responsibilidade? Quem deve arcar com ele? A mãe? O pai? Os dois? Quem colocou a moeda ou manteve a bebida?

Com certeza, nesta situação, não podemos jogar a culpa só no sistema de saúde  ou no mosquito. Na verdade, precisamos de lutar contra o mosquito, erguer a bandeira da igualdade de direitos , lutar por condições dignas para todos,  e  é mais do que necessário fazer uma revisão dos nossos valores…



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