28/06/2016 - 14:06

Como contribuir para a preservação da sua saúde?


Vamos voltar a comentar sobre um assunto super importante: o “lixo”. Melhor dizendo, vamos aqui chamá-lo de “resíduo sólido”. Sabemos que a composição dos resíduos que geramos pode ser bastante diversificada, pois depende das características ambientais e socioeconômicas da população, isto é, do clima, hábitos e costumes, grau de instrução, poder aquisitivo, entre outros. Podem ocorrer variações dentro de um mesmo país e cidade, dependendo do tipo de área (comercial, industrial, residencial) e da predominância da classe social dos habitantes ou moradores.

Um estudo realizado em uma capital brasileira mostrou que, de modo geral, o resíduo sólido domiciliar é composto por aproximadamente 53,1% de matéria orgânica, 19,1% de papel/papelão, 11,8% de plásticos, 5,5% de materiais diversos, 3,3% de metal 2,7% de vidro, 2,5% de madeira, couro, borracha, e 2,1% de trapos. Atualmente, graças ao crescente desenvolvimento tecnológico, grande parte desse material pode retornar à cadeia produtiva, voltando a ser útil à economia, incluindo materiais orgânicos, tais como as sobras de alimentos, que podem ser transformados em adubo ou até mesmo gerar energia. Assim, se todo esses materiais forem descartados conjuntamente, serão coletados pelo serviço de limpeza público e enviados para os aterros sanitários, causando o desperdício de várias fontes de riqueza.

Para evitar que isso ocorra, tem sido amplamente divulgado o conceito dos 3 R: reduzir, reutilizar e reciclar.

Reduzir significa consumir conscientemente, isto é, comprar bens e produtos dentro das necessidades, evitando desperdícios. Reutilizar é doar bens que não possuem mais utilidade, mas que poderão ser úteis para outras pessoas; ou aproveitar de forma criativa um produto, utilizando-o de outra maneira, como por exemplo aproveitar um vidro de conservas para guardar miudezas. Reciclar é separar determinados materiais passíveis de reciclagem no próprio local de origem e encaminhá-los para centrais de triagem. Nesses locais eles serão novamente separados conforme os diferentes tipos (manualmente ou por máquinas) e vendidos para a indústria recicladora, onde serão processados, retornando ao ciclo produtivo. Além de gerar renda e emprego para pessoas carentes e trazer economia de custos, a reciclagem alivia o meio ambiente de resíduos poluentes ou que iriam demorar anos para se decompor.

No entanto, reconhecemos que a separação dos recicláveis não é tarefa simples. Infelizmente grande parte da população ainda não está separando adequadamente os materiais antes de descartá-los nas lixeiras de casa, do trabalho, ou dos espaços públicos. Isso não ocorre apenas nos países do chamado terceiro mundo ou entre indivíduos com baixo nível de escolaridade. Certas vezes, mesmo pessoas catalogadas como “eco-chatas”, as quais estão constantemente preocupadas em preservar a natureza e não medem esforços para evitar a poluição do ar, do solo e da água, sentem dúvidas e dificuldades ao tentar descartar e encaminhar corretamente os diferentes tipos de resíduos.

Não podemos nunca esquecer os resíduos perigosos, tais como objetos cortantes e perfurantes (vidros quebrados, agulhas de infusão), substâncias químicas (pesticidas, solventes, tintas), metais pesados encontrados em pilhas, baterias, eletroeletrônicos, e lâmpadas fluorescentes), resíduos de serviços de saúde, entre outros, que precisam sempre ser separados e enviados para tratamento adequado antes da disposição final no solo.


Entre as causas para muitas falhas na separação podemos identificar: falta de campanhas educativas para incentivar e orientar a população; pouca divulgação dos programas existentes e de sua importância para a saúde da população e do ambiente; escassa distribuição de lixeiras diferenciadas para os resíduos comuns e recicláveis; falta de identificação e de instruções nos recipientes existentes quanto ao tipo de resíduo a ser descartado; distribuição precária de informações sobre o tipo de encaminhamento adequado para cada tipo de resíduo, etc.

Nossa “dica” para o leitor desta coluna é que procure saber mais sobre o assunto na página da Internet da sua cidade. A coleta diferenciada de resíduos comuns e recicláveis é um serviço municipal e algumas cidades oferecem também a coleta separadamente de resíduos de jardinagem e de orgânicos para fins de compostagem. Informe-se, amplie seus conhecimentos! Seja um multiplicador, propagando essas informações também para seus amigos e familiares!!! A natureza e a saúde pública agradecem!

Autoria da Dra. Ana Maria Moreira, médica e doutoranda em saúde ambiental naFaculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Completou seu doutorado sanduíche na UMass Boston em março de 2016 sob supervisão do colunista Eduardo Siqueira.



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