07/04/2016 - 07:56

Já pensou num Trump Presidente?


O governador Deval Patrick me disse uma vez que o povo merece o governo que tem. O Governador estava se referindo a responsabilidade social do voto, somos nós que elegemos nossos governantes. Quando elegemos candidatos sérios e compromissados com a causa coletiva, vemos resultados positivos na comunidade. Mas quando votamos em políticos descompromissados, sofremos as consequências e, geralmente, de forma desastrosa.

Eu concordo com o governador, ultimamente, mais ainda diante das pesquisas que dão o senhor Donald Trump como líder da intenção de voto do partido republicano em quase todos os estados do país. O que faz uma pessoa querer votar no Trump? Qual é a proposta real que ele apresenta? Até agora eu não vi nem ouvi nenhuma proposta concreta desse senhor. A única proposta que ele bate e rebate e repete toda hora é com relação aos imigrantes. Ele vai construir um muro entre o México e os Estados Unidos e vai deportar todos os indocumentados. Mas ele não diz como vai fazer isso, de onde vai sair a verba necessária para construir o muro ou para arrebanhar 12 milhões de pessoas e muito menos explica como vai resolver o problema da mão-de-obra pois sabemos que os imigrantes indocumentados são responsáveis por uma grande fatia da mão de obra desqualificada.

Também não vejo na imprensa nenhuma discussão sobre isso, com rarissimas exceções. Não há nenhuma discussão em termos de se cobrar do senhor Trump uma proposta concreta do que fará se for eleito presidente da república. O que faz uma população se encantar aparentemente com uma pessoa como o Trump? Ele é grosseiro, é mal educado, usa palavras ofensivas, ele provoca o ódio, cria a discórdia, divide comunidades e joga uma pessoa contra a outra. O que faz então uma pessoa se encantar com o Trump? Querer eleger o Trump?

Eu acho que nesse ponto a gente precisa de uma psicóloga para explicar o que está se passando, pois acredito que ele apela para o nosso lado maléfico e masoquista. Desde que nascemos, nós somos reprimidas socialmente, aprendemos que devemos tratar as pessoas  com educação, sem gritar nem xingar, sem discriminar. O Trump representa esse lado que fica reprimido em cada um de nós. Por exemplo, as vezes  temos vontade de dar um murro em alquém mas não damos. Mas o Trump dá o murro e a gente bate palma. É como briga de galo, ou uma briga que a gente vê na rua ou alguém espancando alguém e todo mundo torcendo, querendo mais, ao invés de separar, tentar parar a carnificina. É o nosso lado mórbido que fica feliz em ver sangue.

Trump age como se estivesse em um palco, no teatro ou no comando de um dos seus talk shows. Tudo é um teatro, uma repesentação mas o problema é que a campanha política não é um teatro, uma pantomina, é um processo sério de avaliação dos candidatos. É uma oportunidade de se sabatinar os concorrentes  para se ter uma ideia real do que eles realmente representam.

O senhor Trump por falta de ideias concretas e de capacidade mental para apresentar uma plataforma criou um circo para disfarçar a atenção do eleitorado. E parte desse eleitorado caiu na armadilha. Agora a trama está tão intricada que nem o Trump sabe como desenrolar. Suponha que o Sr. Trump seja eleito presidente da república. O que vai acontecer? Vamos todos dar gargalhadas da plateia ou vamos cair na real e desesperar? A resposta, talvez só em novembro.



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