05/03/2016 - 16:29

O modelo socioecológico do Zika


A cada dia que passa , mais e mais reportagens e estudos saem falando do vírus Zika. Algumas pessoas já entram em pânico e tenho ouvido de  casais deixando de lado viagens programadas  ou sonhos do tão esperado filho.

E o nosso  Brasi vai contando os números do caos, tentando juntamente com órgaos internacionais e a Organização Mundial da Saúde encontrar uma explicação clara para a relação do vírus com a presença de tantos recém nascidos com microcefalia. Se você não sabe, a microcefalia se traduz em alterações  a nível cerebral e a cabeça com um tamanho muito menor do que outras crianças da mesma idade e sexo. A circunferência da cabeça teria um valor de 32 centímetros ou menos.

Esta complicação traz angustia às mães e familiares destas crianças, donas de um futuro incerto, muitas vezes sem qualidade de vida.  Por isso, esta epidemia se tornou alarmente aos olhos dos brasileiros e agora, com a presença de casos em muitos países, inclusive do primeiro escalão, aos olhos do mundo.

Fala-se tanto das tentativas de  erradicação do mosquito Aedes Aegypti, o mesmo que transmite a Dengue, e dele  como o único vilão da estória, por ser o vetor de transmissão da doença. Chovem aos montes os anúncios de que deve ser melhor controlada a proliferação dos mosquitos e se continua  tentando eliminá-los, espirrando substâncias químicas  para tudo que é lugar e procurando a larvinha nas águas paradas de muitos locais.

Não é que seja errado, é claro que prevenção e contenção são medidas importantes. Porém, como fica o povo  no meio dessa fumaça de organofosforados, que está entrando nos corpos  de cada um  seja por inalação ou ingestão? Será que isso não acarretará outros problemas e terá implicações na saúde da populacao no futuro ou até mesmo agora?

A professora e pesquisadora Lia Giraldo do quadro de  docentes da FIOCRUZ, em Pernambuco, já levantava essa polêmica, ressaltando que nem com essas medidas radicais tem sido possível acabar com a Dengue. E o “ bicho” é feroz,  o danadinho do Aedes volta a cada dia mais resistente e causando estragos, com mais complicações clínicas.

Estamos nos esquecendo que não é só culpa do mosquito. Vocês já devem ter notado que o maior números de pessoas infectadas e dos que nascem com microcefalia ocorrem em locais mais pobres com pessoas menos privilegiadas. Sabemos da importância da participação da população nos esforços, entendo as causas da epidemia, sabendo como se proteger e como ajudar a sua comunidade a se cuidar e exigir mais recursos. Mas me pergunto,  como podemos estar pregando o “mata o mosquito” se as condições básicas e direitos fundamentais de todo ser humano não existem?

Se a população, principalmente as pessoas mais carentes,  não tem as medidas  adequadas de saneamento, não tem capital para morar  em bairros limpos e bem estruturados? Não teria sido esquecida pelo governo e orgãos competentes? Muito mais fácil esfumaçar o ambiente e intoxicar a água que se bebe ao invés de providenciar a possibilidade  de ter água potável e limpeza adequada do local onde vivem. O que podemos esperar se não existe abastecimento regular de água para alguns, se alguns programas de vigilância não continuam, como podemos querer que tudo suma de vez?

E na avenida do desmatamento, a natureza grita e o desfile continua, mostrando o vírus destacando e muitas alegoria, e o povo sambando na agonia, com versos de desigualdade social. Saúde para todos!



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