25/10/2015 - 19:51

Você se preocupa com o destino do “lixo” que cria?


A evolução da vida do homem na Terra, o crescimento populacional e o modelo de desenvolvimento atual trouxeram o aumento do consumo, diversidade e quantidade de produtos e de embalagens e, consequentemente, o incremento considerável da geração de “lixo”. Já que nos tornamos cada vez mais consumistas e poluidores, precisamos urgentemente reduzir o impacto desse nosso estilo de vida no meio ambiente.

 

Até algum tempo atrás, o “lixo” resultante das atividades nas zonas rurais era aproveitado no próprio terreno, na forma de adubo ou queimado. Nas cidades era coletado pelo serviço de limpeza pública e depositado em terrenos a céu aberto em lixões afastados das cidades. Porém, com a crescente urbanização e mudança de hábitos da população, o serviço de coleta tornou-se mais complicado, os espaços disponíveis para o descarte insuficientes e a disposição em lixões criou vários inconvenientes: contaminação do solo e da água, poluição do ar, odores desagradáveis, atração de animais e vetores de doenças (aves, roedores, insetos) e o trabalho de catação de materiais reaproveitáveis/recicláveis por pessoas de baixa renda.

 

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos, regulamentada no Brasil em 2010, foi um grande avanço nesta questão. A palavra “lixo” passou a ser substituída por duas palavras: resíduo sólido-material, substância, objeto ou bem, resultante de atividade humana, que pode ser reutilizado, reciclado ou precisa receber encaminhamento adequado - e rejeito -material que não apresenta outra possibilidade de reaproveitamento que não a disposição final ambientalmente adequada. Essa lei propõe também o consumo sustentável, a redução, reutilização e reciclagem dos resíduos, tratamento dos resíduos perigosos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos, proibindo a existência dos lixões no território brasileiro.

 

Desde então, os lixões estão sendo substituídos por aterros sanitários, que diferentemente dos lixões, são construídos conforme normas operacionais específicas, visando prevenir riscos à segurança e à saúde pública e a minimização dos impactos ambientais adversos.

 

A reciclagem consiste na alteração das propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas de alguns materiais e sua incorporação em novos produtos. Compete aos municípios o incentivo e a implantação da coleta seletiva de materiais recicláveis com a participação de centrais de triagem gerenciadas e operadas por cooperativas ou associações de catadores, constituídas por pessoas de baixa renda.

 

Quando esses materiais chegam nas centrais, são geralmente colocados em esteiras, onde são separados pelos triadores, de forma manual ou parcialmente mecanizada, conforme o tipo de material: papel, papelão, plásticos de vários subgrupos, vidros, e metais.  A seguir são prensados e agrupados em fardos, para depois serem vendidos para a indústria recicladora.

 

O lucro com a venda desse material é dividido entre os cooperados/associados, formados geralmente por ex-catadores de lixões, moradores de rua, albergados, desempregados ou de baixa renda, o que especifica o caráter de inclusão social do projeto. Embalagens sujas, contendo produtos restos de químicos, resíduos hospitalares, objetos cortantes, vidros quebrados, lâmpadas, pilhas e baterias, toner de impressoras, objetos contendo metais pesados, podem causar doenças ou lesões nesses trabalhadores e poluir o meio ambiente.

 

Cabe à população a tarefa de separar corretamente, também aqui nos Estados Unidos, tanto nas ruas como em suas residências, os materiais passíveis de reciclagem dos não recicláveis, armazenar e disponibilizar em recipientes com condições de higiene e sem oferecer riscos para o pessoal responsável em sua manipulação, seja durante a coleta, triagem, prensagem, enfardamento, ou comercialização. É responsabilidade do serviço municipal de limpeza oferecer à população recipientes diferenciados e identificados para o acondicionamento de recicláveis e não recicláveis  nos espaços públicos, promover a educação ambiental e a coleta diferenciada.

 

No entanto, é fundamental que o gerador, isto é, o fabricante dos produtos e responsável pelo princípio dessa cadeia, tenha plena consciência da importância de seus atos, se preocupe com a saúde e bem estar do próximo e com a qualidade de vida no planeta.

*Autoria da Dra. Ana Maria Moreira, médica e doutoranda em saúde ambiental na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Atualmente faz doutorado sanduíche na UMass Boston sob supervisão do colunista Eduardo Siqueira.



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