05/07/2015 - 18:40

Até aonde vai a liberdade de expressão?


A Lei dos Direitos Civis de 1964 , que acabou com a segregação racial em lugares públicos e proibiu a discriminação no emprego com base em raça, cor, religião, sexo ou origem nacional,  é considerada uma das realizações legislativas do movimento dos direitos civis. “Todos têm direito a todos os direitos e as liberdades proclamadas na presente Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, de origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição. Além disso, não será feita nenhuma distinção em função da condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer seja independente, sob tutela, sem governo próprio ou submetido a qualquer limitação de soberania”, escreve o texto da Declaração de Direitos Humanos.

Estas duas leis estão escritas como direitos civis e humanos. Entendemos que todo país tem as suas legislações e regras, e que regras internacionais também devem ser respeitadas. Contudo,  o que vemos é um desrespeito aos princípios básicos de qualquer sociedade que, queira ou não, é regida pela supremacia de um simples direito: o direito de ser humano!

 

Você já sabe que o debate  quanto a falta de humanidade,  dos atos e da perseguição de imigrantes indocumentados tem sido uma constante rotina do dia a dia da mídia, das comunidades afetadas  e dos ativistas. Mas, ainda  assim, vemos ataques diários à pessoas muitas vezes indefensas, ou à minorias.

 

E daí, você se pergunta, cadê a regra número um  que diz que o  ser humano deve ser bem tratado e respeitado, indepedente  de qualquer condição? Existe a utilização adequada dos privilégios brindados aqui,  que prega o livre arbítrio e a liberdade de expressão? Falar o que se pensa pode ser usado como instrumento de calúnia e difamação?

 

O ser humano se tornou um artigo banal e descartável. O que dá ibope é a maneira de despejar a “intelinércia” na cabeça de alguns  que respiram o o cheiro de  fumaça intoxicante  e se alimentam da carne inflamada de ódio com o  tempêro de alienação. Em pleno  século XXI, ainda existe quem se curva às teorias aterrorizantes de doenças somente transmitidas por aqueles que não nasceram “americanos” e que os abusos encontrados nacionalmente são todos cometidos por imigrantes ao som do mariachi ou aqueles sonhando com as mulatas requebrando, trazendo pensamentos sexuais e ajudando a cometer atos libidinosos .

 

É essa a verdadeira liberdade de expressão? Ou seria apenas mais uma descarga aberta para as aberrações da falta de cultura e de zero entendimento de geografia, história e saúde pública de algumas pessoas? Há os que ainda pensam que Buenos Aires é a capital do Brasil. E que nós brasileiros somos afiadissimos no espanhol.

 

Aplaudimos sim, vitórias que foram conquistadas com suor como a lei dos trabalhadores domésticos, o DACA, e outras do passado como o voto da comunidade afro-americana e das mulheres.

 

Apoiamos as medidas acertadas daqueles, incluindo americanos, que brigam por ela ou já conseguiram que a carteira de motorista seja dada a trabalhadores e pais de família indocumentadas que somente querem  brindar o melhor para os seus e suas comunidades.

 

São passos pequenos mas marcantes e que trazem esperança para muitos.E é gratificante notar que vários dos  nossos irmãos americanos refletem, lutam ao nosso lado, iniciam conversas importantes e nos apoiam , constatando que somente unidos podemos manter este país a potência que deve ser.

 

Porém, todavia me pergunto, até quando teremos que nos abaixar ou engolir arrogância e asneiras serem depejadas ou  nossos ouvidos considerados “latrinas”? Quando será que certos indivíduos vão acordar e realizar que quando se “cospe  pra cima, volta na sua cara”?



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