09/02/2017 - 20:31

Origamis confeccionados em Nova York levam paz e amor à Chapecoenses


No fim do ano passado, o mundo inteiro se comoveu com a queda de um avião na Colômbia que levava além da delegação da Chapecoense, jornalistas esportivos e alguns convidados. Como todos devem se lembrar, os jogadores Alan Ruschel, Neto, e Follmann, o jornalista Rafael Henzel, o técnico da aeronave Erwin Tumiri e a comissária de bordo Ximena Suarez sobreviveram ao acidente.  E o goleiro Danilo, que também havia sido resgatado com vida, mas  infelizmente, não resistiu e, faleceu no hospital.

O que era para ser um dia como outro qualquer, amanheceu confuso. “Quando acordei naquela manhã meu celular estava cheio de mensagens de amigos e familiares. Várias informações desencontradas. Eles diziam que a cidade inteira ficou parada. E que foi uma semana em que ninguém conseguia trabalhar. Meus irmãos diziam que as pessoas estavam caladas e, quando os olhares se cruzavam, dava para perceber uma tristeza profunda. Luto coletivo”, relata a chapecoense, Cissa Nakawa, que mora em Nova York e sofreu a tragédia de longe.

A tragédia comoveu o mundo, mas a dor daqueles fãs nascidos na cidade foi maior ainda. “Pode parecer exagero para quem está de fora, mas a Chapecoense era o orgulho da minha cidade. A cada jogo todos íam para às ruas, faziam carreatas, buzinaço, era a maior festa. Foi como se todos tivessem perdido um membro da própria família”, descreve a brasileira Nakawa. A Fashion Designer, que nasceu e cresceu em Chapecó, município de Santa Catarina, conta que ficou com o coração apertado com a notícia. Ainda que não conhecesse nenhuma da vítimas diretamente, por se tartar de uma cidade relativamente pequena, os sobrenomes são conhecidos e as famílias têm história na cidade.

Segundo os familiares de Cissa, a cidade toda estava em estado de choque. Todos compartilhando as informações que conseguiam encontrar nas redes sociais como se estivessem tentando encontrar uma notícia que dissesse que tudo não passou de um engano. “Meu irmão, que tem uma empresa de fotografia, conhecia cinco pessoas que estavam no avião. Eram clientes dele. E a minha cunhada perdeu duas colegas de trabalho”, relata.

Morando em Nova York há oito anos, a ela ficou sabendo por meio de familiares sobre a ação “Manifeste seu amor” que o movimento “Eu sou a Paz” estava promovendo. A ideia de recrutar pessoas para fazer origamis e tsurus (pássaros) para decorar a arena Condá, no primeiro jogo da Chapecoense depois da tragédia, encantou Cissa. Segundo ela, foi uma forma de enviar amor, paz e força para os novos jogadores, sobreviventes e pessoas que perderam alguém da família. “Foi uma maneira de materializar o meu desejo de ajudar, de abraçar as famílias dos que se foram e os amigos. Nós, que escolhemos morar fora do nosso país, sofremos tanto ou até mais com acontecimentos como este. É triste não poder ter aquele contato físico, ou a troca de emoção que nos lava a alma e nos permite seguir adiante. A gente chora sozinho e segue. Portanto, participar de um gesto tão pequeno foi um presente. Uma chance que tive de materializar o meu respeito, minha solidariedade e a minha torcida para que o time se reerga em honra dos que se foram e que tragam a felicidade de volta às ruas de Chapecó”, explica.

Os origamis, significam a paz e o amor. Mas, nesse caso, o sentimento vai além. A intenção da campanha foi mandar uma mensagem de confiança e  enviar apoio ao clube que foi devastado em novembro. Dentro dos corações de papel, foram inseridas palavras de conforto ao time. No total, foram 250 origamis enviados de Nova York para Chapecó. “Eu fiz 90 entre corações e tsurus, e os outros 160, outras mães brasileiras que, também moram aqui em Nova York, fizeram e me entregaram. A minha filha de três anos até que tentou fazer umas dobraduras mas acabou fazendo com que eu fizesse tsurus de todas as cores pra ela… foi bom ter ela por perto. Afinal, o amor é contagioso!”, afirma.

Deu para perceber pelo olhar de Cissa que a oportunidade de materializar o amor e a solidariedade valeu mesmo muito à pena. E que estar conectado com boas vibrações vindas de vários lugares do mundo, todos pela mesma torcida e pelo mesmo amor, é muito gratificante. Para finalizar, a chapecoense fala de um amor sem fronteiras. “Eu queria agradecer aos nossos queridos irmãos colombianos. Eles foram de uma sensibilidade e compaixão incrível, sem tamanho. Eu já tinha um carinho muito especial pelos nossos amigos colombianos, mas agora sei o quão especiais eles são de verdade”.

O jogo aconteceu no fim de janeiro e cerca de 15 mil origamis decoraram a arena Condá. Cissa, é claro,  reuniu a família toda para assistir.  



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