26/11/2016 - 20:32

Mudança climática deve afetar imigrantes em Massachusetts


Quando a gentehouve falar de mudança climática, muitos acham que é coisa que sóacontece no cinema. As inundações, terremotos, cidades sendo engolidas por sunames... tudo isso parece coisa de filmes de Hollywood. Mas não é! Em Boston, e ao redor de Massachusetts, os especialistas alertam que catástrofes naturais podem, e devem, acontecer a qualquer momento. E o pior, principalmente nas cidades com grande concentração de imigrantes e outras minorias.

O professor de Adaptação Climática da Universidade de Massachusetts, em Boston, Paul Kirshen, alerta que o nível do mar está aumentado, assim como a temperatura. Em Boston, isso pode levar a uma inundação sem precendentes no bairro de East Boston, bem em frente ao mar, área com centenas de imigrantes, incluíndo brasileiros. “Ainda não podemos entender ou prevê quando isso deve acontecer. A natureza é incerta, mas tem mostrado que o abuso do homem contra ela está ocasionando desajustes no clima”. “E nós seremos os maiores atingidos”, acrescenta.

Um dos grandes problemas que afetam a mudança climática é a emissão no ar de gases tóxicos e poluidores, através das fábricas e veículos. Para se ter uma ideia do impacto que tem causado no clima, é comum no verão de Massachusetts a temperatura chegar à casa dos 90 graus Fahrenheit (32c) durante uns 11 dias. Nesse último verão de 2016, foram 22 dias com calor de 90 graus. E o professor acredita que até 2030 poderá aumentar para até 40 dias. E isso deverá causar impacto no inverno, que será menos frio.

“Talvez os imigrantes acostumados com o clima tropical devam gostar dessa ideia de verão com muito calor e inverno com pouco frio”, disse o professor Kirshen. “O problema é que isso não é normal para a natureza, resultando assim na possibilidade de furacões devastadores, em East Boston, Chelsea, Revere, Lynn e outras áreas costeiras, bem parecido com o Sandy, que devastou cidades de New Jersey e Nova York em 2012”, analisa. E se não houver o controle da poluição, o professor calcula que isso poderá acontecer até o ano de 2030.

A diretora executiva da organização Alternatives for Community and Environment, Kalila Barnett, lembra que o assunto é tão sério que a mudança climática já está afetando o preço dos alimentos. O estado da Califórnia, um dos maiores produtores de frutas e verduras nos Estados Unidos, está na costa americana e também sofre com o impacto. Assim, cai a produção e plantio, e aumenta o preço do pouco que se tem para vender e ser consumido por todos que moram nos Estados Unidos. “Quem sofre? Pessoas de baixa renda, que incluem muitos imigrantes”,lembra Barnett.

Os líderes políticos de Boston estão coscientes do problema e já buscam meios de como amenizar ou eliminar a possibilidade de uma catástrofe climática afetar a cidade. A prefeitura lançou o programa Climate Ready Boston com o objetivo de analisar as áreas mais vulneráveis da cidade, e destinar verbas para a prevenção e eliminação da poluição. “Mas precisamos da participação da comunidade imigrante”, pede a Gerente de Preparação Climática da cidade, Mia Goldwasser.

O que fazer então? Participar e prevenir. “As pessoas precisam se engajar, participar de eventos ou reuniões de bairros, escolas, universidades, e descobrir como podem fazer sua parte para previnir tragédias em sua próprias vidas”, sugere Kalila Barnett. “Há muitos modos, como a reciclágem, que nós podemos fazer para fazer parte desse processo de solução de um problema que também é nosso”, finaliza. O programa de prevenção climática da cidade de Boston está disponível no www.climateready.boston.gov. 



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