Reflita você mesma

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Como jornalista, tenho plena consciência do poder da mídia como informação para todo o mundo. No entanto, os meus princípios de valores não me permitem que meu talento e anos de estudos sejam usados para uma imprensa preocupada em vender notícia falsa, e política em benefício do poder financeiro que a qualquer custo se omite a real verdade.

Ao longo dos anos, grandes mulheres têm se destacado ou até mesmo dado sua própria vida em benefício da família, da humanidade e das transformações que o mundo anda tão carente nas suas inversões de valores. A Global Graphene Challenge Compettion é uma competição internacional promovida pela empresa Sueca Sandvik, buscando soluções sustentáveis e inovadoras para o mundo. O desafio é criar uma nova utilização para o grafeno, material extremamente fino, derivado do carbono, transparente e 200 vezes mais forte que o aço.

A vencedora mundial do ano de 2016, anunciada no início de 2017, é Nadia Ayad, uma recém-formada em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro. O trabalho de Nádia concorreu com outros nove finalistas. Nádia criou um sistema de dessanilação e filtragem de água, usando o grafeno, que possibilitará o acesso a água potável a milhões de pessoas, além de reduzir custos em energia. A previsão é que num futuro próximo, o acesso a água será um problema enfrentado em grande parte do planeta, daí a enorme importância da criação da energia.

Nádia ganhou uma viagem a Suécia para estudar na sede da Sandvik ao lado de outros pesquisadores de todo o mundo, e visitará o Graphene Center da Chalmers University. A engenheira tem como objetivo fazer um PhD nos Estados Unidos ou Reino Unido, já que no Brasil as chances para pesquisadores são cada vez menor.

No dia oito de outubro deste ano, no município de Janaúba no norte de Minas, um vigilante de 50 anos por nome, Damião Soares dos Santos, entrou na Creche Gente Inocente, e ateou fogo nas crianças ali assistidas pela professora Helley Abreu Batista de 43 anos. Movida pelo espírito de uma verdadeira heroína, Helley lutou bravamente contra o vigilante assassino e por três vezes entrou na sala em chamas, arriscando sua própria vida, para salvar cada criança. Não resistindo às queimaduras Helley faleceu deixando o marido e três filhos menores, Breno de 15 anos, Lívia de 12 e um bebê de um ano e três meses. O salário de Helley como professora era de R$1.500,00. Helley teve uma vida marcada pela superação, seu primeiro filho, de 5 anos, morreu afogado em uma piscina de um clube de balneário, durante uma festa de carnaval, que participava junto com seu marido e sua família. Formada em Pedagogia, Helley já havia trabalhado em outras escolas em áreas de baixa renda, e já tinha participado de vários cursos de especialização na área educacional de inclusão com pessoas deficientes. Amava as “ suas crianças” como ninguém, assim ela se expressava.

Mulheres como Nádia e Helley, não mereceram destaque como “ A mulher do Ano”, evento promovido anualmente pela mídia brasileira. Assim como no Brasil, tenho certeza que no mundo inteiro existem verdadeiras heroínas que deram e continuam dando suas vidas por causas humanitárias e em benefício social da coletividade, mulheres que estudam buscando formula científica para curas de doenças, pesquisadores como Nádia e tantas outras.

Sem querer tirar os méritos e o respeito que toda mulher merece seja qual for a sua área de atuação, o Brasil foi tomado de surpresa com a notícia do título de a Mulher do Ano de 2017, concedido a cantora de funk Anita. A pergunta foi, o que fez Anita nesses seus anos de carreira, além de apresentações simi-nua, ditando o feminismo, rebolando e entupindo sua conta bancária? Quem concedeu esse título como símbolo de 2017 a Anita, foi uma revista masculina GQ Lifestyle da Globo, que anualmente escolhe uma personalidade feminina através do evento “ Men of the Year” . Claro que esse título jamais caberia a mulheres com o perfil da professora Helley ou a pesquisadora Nádia.

Estamos em pleno final do ano de 2017, agradeço aos editores do Brazilian Magazine, pelo espaço que com autonomia posso expressar minha opinião, como mulher feminina e feminista que sou. Agradeço aos meus leitores. Que no próximo ano, possamos refletir para que o amor seja um estado de espírito permanente entre todos nós. Que os abraços sejam apertados com a esperança sempre renovada. Que os medos nunca nos afastem da nossa fé, e que a coragem seja a forma mais honesta de lutar pelos nossos sonhos. Que o ano de 2018 venham recheados de pessoas do bem, e que eu seja sempre cada vez melhor para os que me querem bem.  Obrigada.